A magia de ser mãe

Foto: Ana Helena Tavares

– Dedico este poema à minha mãe Maria do Céu, esperando que todas as mães do mundo sintam-se homenageadas.

O que é ser mãe?
Talvez só quem é possa responder.
Mas, sem dúvida, ser mãe
É, acima de tudo, viver!

Viver para amar os filhos,
Tentando sempre compreendê-los.
Viver para cuidar dos filhos,
Querendo sempre protegê-los.

A maternidade é uma verdadeira viagem
Por vales tortuosos, cheios de magia –
Para desbravá-los é preciso ter coragem
De enfrentar novos desafios a cada dia.

Essa dádiva divina é uma árdua missão.
Mas quem a recebe não tem o que temer:
O amor que as mães têm no coração
Já é suficiente para lhes dar um grande poder.

E por mais que alguém diga o contrário,
Ser mãe é um sonho reluzente como o ouro.
Não há nada mais extraordinário
Do que dar à luz um singelo tesouro.

Com seu néctar amamentá-lo,
Segurando-o firme contra o peito.
E docemente acarinhá-lo
Até que fique calmo e satisfeito.

Depois vê-lo crescer
Feliz, na sua frente,
E cada vez mais viver
Para vê-lo se tornar “gente”.

E mesmo depois de ele crescer,
E a estrada da vida seguir,
Continuar tendo o prazer
De poder vê-lo sorrir.

Essa vitória é o apogeu,
Uma sensação indescritível!
Esplendor maior que o seu
É, sem dúvida, impossível.

As mães podem ser charmosas,
Sérias ou extrovertidas,
Duronas ou carinhosas,
Espontâneas ou contidas.

No fundo, isso pouco importa.
Certamente todas têm o seu valor.
O que de fato importa
É que todas têm muito amor.

Ana Helena Ribeiro Tavares

Minha cara família

Foto: Ana Helena Tavares

– Para minha avó Maria Helena (in memorian), que sempre colocou a família acima de tudo.

Minha cara família

Desculpe-me por gentileza

Se não mais podem me ver

Mas arrumei um mensageiro com presteza

Para que isto possam ler.

Aqui no céu o carteado continua

Mas ninguém uma aposta insinua

Todos os dias são ensolarados

Não sei mais o que são dias nublados

Mas o que preciso lhes contar…

É o que vejo aqui de cima

O clima aí anda meio estranho

Sei que vão andando

Por coragem e insistência

Mas não esqueçam de ir pensando

Por que também sem consciência

A confusão é sem tamanho.

Minha cara família

Eu não pretendo motivar

Nem aumentar recordações

Quero apenas poder esquentar

Um pouco os vossos corações

Aqui no céu a birita é proibida

Mas nem por isso uma revolta se incita

Adoramos passear nas nuvens

Não sabemos mais o que é ciúmes

Mas o que preciso lhes contar…

É o que vejo aí na Terra

A guerra parece ser em vão

Mas continuem guerreando

Pela paz e pela fé

E no amor acreditando

Porque também sem cafuné

É sem tamanho a confusão

Minha cara família

Eu até tentei telefonar

Mas o preço disso anda imenso

Vejo-me aflito pra poder lhes alertar

O quanto o mundo anda tenso

Aqui no céu, despreocupados pra valer

Nem sabemos mais o que é chover

Tudo o que queremos temos de graça

Não é preciso fazer uso de trapaça

Mas o que preciso lhes contar…

É o que minha visão alcança

Na Casa Branca só se pensa em canhão

O mundo tá de um jeito que sei não…

Mas façam sua parte

Porque também sem alguma arte

É sem tamanho a confusão

Minha cara família

Mandar carta eu preferia

Mas é rabugento o carteiro

Restou-me neste dia

Enviar um pombo mensageiro

Aqui no céu já não temos nenhum vício

Nada do que se vê em um comício

Temos política, mas não é o nosso forte

Desconfio que isso seja nossa sorte

Mas o que preciso lhes contar…

É das saudades que aqui vão

Muitos mandam beijos para os seus

Eu mando o meu amor

E para todos os meus queridos: adeus…

– Livremente inspirado na letra da música “Meu Caro Amigo”, de Chico Buarque e Francis Hime.

09 de abril de 2008,

Ana Helena Ribeiro Tavares

“Minha cara família” no blog do Patolino

Conheça a 2ª versão para este poema no blog República Vermelha

Para assistir a um raríssimo clipe com a música “Meu Caro Amigo”, interpretada por Chico Buarque (ainda novinho) com Francis Hime ao piano, clique aqui

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