O dom do amor

Foto: Ana Helena Tavares

Julguei ser um corriqueiro assunto…
Para versar o amor fiquei comedida.
Sem harmonia ficou o conjunto.
Neguei o pintor da vida.

Fiz de mim branca barreira pomposa,
Ao invés de cercar-me com muros de cor.
Uma aparência que se queria formosa
Sentiu falta da leveza do amor.

Não sei se ele age da melhor forma,
Talvez não precise mesmo saber.
Se é o amor algo puro e sem norma,

Se é ele quem nos ensina a viver,
Com sua tão recortada plataforma
Nos bem cabe amar… Pra que entender?

Ana Helena Ribeiro Tavares

Cheia

Ana Helena

Estou cheia… Cheia mesmo, ouviram?!
Cheia não sei bem de que, é verdade!
Talvez do que sempre me imprimiram.
Hipocrisias da sociedade…

Sociedade muito bolorenta!
Que me deixa cheia sim, nunca nego.
Quem será que isso tudo ainda agüenta?!
Mundo preocupado com o ego…

O mesmo ego que me deixa tão cheia.
Do cotidiano, planos demais…
Na vida, não podendo fazer ceia

Um lanche também satisfaz!
Nunca cabe é julgar a vida alheia…
Pra que pensar que o outro tem mais?

Afinal será mais viva a pintura
Da fachada do vizinho
Ou será você que não mais atura
Seguir o seu próprio caminho?

Maio de 2008,
Ana Helena Ribeiro Tavares

%d blogueiros gostam disto: