Senhor Diretas, Senhor Cidadania – Um cordel para o Dr. Ulysses

Por Jetro Fagundes*

Vento das mil e uma trajetórias
que senta tardezinhas e manhãs
conte um pouquinho das histórias
do teu Sr. Dr. Ulysses Guimarães

Houve tempos que grupos facistas
mancharam o pavilhão nacional
com militares e civis golpistas
instaurando silêncio quase total

Tempos em que toda companheirada
sonhava com a volta do irmão do henfil
a nossa Pátria amada idolatrada
era violentada por baioneta, fuzil

Contra decretos leis do AI cinco
que feriam o direito constitucional
o deputado Ulysses com todo afinco
lança a sua voz serena, radical

Vento meu verdadeiro mano camarada,
nesse tempo a eleição presidencial
era um jogo de cartas marcadas
num expúrio colégio eleitoral

Unindo o seu partido minoritário
cheio de liberais e de radicais
enfrentou regime autoritário
e Arena dos oligarcas e generais

No pequeno MDB teve o trabalho
de ser o arquiteto, unificador
duma verdadeira colcha de retalho
balaio de gatos, gente de toda cor

Querendo um País redemocratizado
mano Vento eu juro pelo céu de anil
que a voz de Ulysses deputado
era a verdadeira Voz do Brasil

Um dia Dr. Ulysses, deputado
vai de Porto Alegre à Macapá
andando de estado em estado
pedindo eleiçoes diretas já

Vento, tu que danças na floresta
e em tudo gostas de festejar
lembras o teu povão fazendo festa
nas ruas exigindo diretas já ?

Dr. Ulysses, o Senhor Cidadania
conseguiu unir a oposição
pra que o sonho da democracia
voltasse a ser real na sua nação

Em meio as bandeiras agitadas
o Lábaro Estrelado pode constatar
que ruas e avenidas ocupadas
mais pareciam com o Vermelho Mar

Lembras teu povo nos logradouros
caminhando e cantando certa canção
e o teu iluminado Verde e Louro
sendo hasteado no coração ?

Se viam os comícios mais bonitos
a massa popular, cidadã multidão
enterrando fundo, a sete gritos
o regime militar de exceção

Vento, eu juro por todas as juras
que foi ali o marco inicial
pro sepultamento da  ditadura
e do horrendo Colégio Eleitoral

Ulysses Guimarães, o peregrino
foi aquele belíssimo tradutor
de uma voz que sai de ti, menino
Mano Vento do Norte Professor

E sem a bela voz ligeira e ousada
de Ulysses eu me arrisco a dizer
que aqui teríamos uma pinochetada,
e fascistas se eternizando no poder

E se não chegou a ser Presidente
isso pouco importa, tanto faz
pois seu lindo coração valente
repousa no mar celeste da paz

Mas ele deixou a sua rública
de comandante da Carta Guardiã
da legalidade na Nova República:
A Avançada Constiuição Cidadã

Aqueles que atacam a sua memória
em atos covardes como os do porão
já figuram nos livros de história
como uma múmia viva, e de fardão

Tem gente que calado ja tá errado
sem a menor vergonha, consideração
mexe com a memória desse deputado
conhecido como senhor Constituição

E pros seus críticos historiadores
eu deixo cá um desejo do coração
que ninguém queira sentir as dores
da falta de liberdade de expressão

Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

Mantém o blog: “Ventos que sopram do Marajó

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