O internacionalista cidadão – Um cordel para Apolônio de Carvalho

Apolonio é o 1º da esquerda para a direita, atrás da bandeira.

O internacionalista cidadão

Por Jetro Fagundes (*)

    I

Grande amigo dos manos cabanos
hoje vou te lembrar um imortal
corumbaense, filho de sergipano
um guerreiro camaradão universal

Homem que na alma revolucionária
amado por castanholas e roseirais
foi amigo da linda la Pasionária
musa das brigadas Internacionais

Vento, que além da Natureza
também ama a francesa Renée
Cante pra belíssima Marselhesa
Liberté, Igualité, Fraternité

Cante para as gotas do Orvalho
que dão vida ao teu sereno chão
e lembre Apolonio de Carvalho
lendário, Cidadão da Imensidão

Lá pela metade dos anos trinta
nosso herói começa a escrever
com a sua avermelhada tinta
histórias do eterno amanhecer

Tempos do fascismo, do nazismo
os espanhóis tomam a decisão
de optarem pelo Socialismo
através de demcrática eleição

Mas setores ultra direitistas,
eternos inimigos do cidadão
se aliam a fascistas franquistas
agentes do nazismo alemão

Muitos libertários, guerreiros
de coração da cor do arrebol
guerrilheiros do mundo inteiro
saem em defesa do povo espanhol

Amante da aurora, do novo dia
Apolonio de Carvalho do Brasil
vai combater pela democracia
na Espanha, em guerra civil

Bem antes de ser um voluntário
na terra de Picasso, de Dalí
ele ja combatia os reacionários
varguistas e fascistas daqui

Foi deixar claro à posteridade
que a causa espanhola de então
era a causa de toda a humanidade
que não se curva anti a opressão

Homem que no coração vermelho
deu a entender com atos de fé
bem melhor que viver de joelhos
é lutar ou mesmo morrer de pé

E contra as forças sanguinárias
das estruturas anacrônicas, feudais
Apolonio ao lado de Lá Pasionária
luta pelas Brigadas Internacionais

Além de ser uma briga ideológica
entre fascismo e democracia social
a guerra era contra a psicótica
falange franquista, nazi-infernal

Apolonio, o filho do Sergipano
que defendeu a Frente Popular
lutou em todo solo castelhano
incansavelmente e sem capitular

E vendo a espanhola bandeira
no Céu Democrático a tremular
lembramos a coragem guerrilheira
de Apolonio da Frente Popular

I I

Vento, eu sei que com tristeza
vias uma nação ocupada, infeliz
cantarolando a tua Marselhesa
nas esquinas, avenidas de Paris

Mas sei que vias todo orgulhoso
históricos guerrilheiros a agir
combatendo o governo mentiroso
acovardado, instalado em Vichy

Com a França ocupada, invadida
nas mãos do nazismo alemão cruel
Apolonio correndo perigo de vida
luta pela terra da Torre Einfel

Cidadão de fé, internacionalista
com firmeza inabalável, honradez
combate nazistas colaboracionistas
patrícios traidores do povo francês

Na guerra de guerrilha dramática
Vento, o nosso herói vai conhecer
a guerrilheira também fantástica
linda francesa Socialista Rennee

Voluntário resistente engajado
determinado começa a fazer ação
junto aos grupos de emigrados
ativos na guerra de libertação

Grupos de idealistas, sonhadores
em célula guerrilheira do Partisan
voluntários francos atiradores
que combatiam a prepotencia alemã

Homem das bravuras verdadeiras
o brasileiro autêntico menestrel
audaciosamente rompia trincheiras
ao lado do lendário Serge Ravanel

Defensor da causa da liberdade
Apolonio ajuda a reconquistar
palmo a palmo de cada cidade
na base da resistencia popular

Por ali, em cada quadra, esquina
lutando com coragem, intrepidez
faz estrago na Gestapo assassina
que massacrava o cidadão francês

Derrotados os nazistas, finalmente
Apolonio permanece naquela nação
Bem humilde, recebe merecidamente
dos franceses honrosa codecoração

Vento, meu sumano da correnteza
o teu Internacionalista Cidadão
recebeu da Legionária Marselhesa
a mais alta honra, condecoração

Filho de um sergipano, brasileiro
Apolonio de guerra, agente da paz
ele, sim, como um heroi verdadeiro
é patrono na galeria dos imortais

E tu, amigo das águas amazônicas
sabe que o Cidadão Internacional
fez mais que as notas radiofônicas
de um nem tão guerreiro general

Libertário, inimigo das tiranias
herói em Madri, Toulouse, Paris
certo dia defenderá uma democracia
violentada por medalhões de fuzis

Presioneiro do aparelho dum estado
golpista, sanguilonento no Brasil,
Apolonio foi barbaramente torturado
mas com coragem, e força resistiu

I I I

Dizem que Apolonio das bravuras
nas sessões de torturas deu lição
às agulhas da covarde ditadura
negra de tanto cinismo no porão

E a pátria salve, salve, idolatrada
que com seu AI e cinco se destrói
foi impatriótica, vilã, desalmada
com um verdadeiro menestrel herói

Invés de ser tratado como “o cara”
herói dos povos, em várias nações
aqui lhe deram foi pau de arara
nas torturas covardes, humilhações

Quando um embaixador é sequestrado
por outros também heróis desse país
Apolonio então foi solto, libertado
mas banido pra Argel, depois Paris

E lá na França, ele mantém contato
com inúmeras vítimas da repressão
dum regime impatriótico, ingrato
que tomou de assalto nossa nação

Vento, um dia, um tão sonhado dia
ele deixa Paris da Champs-Élysées
e retorna com a  lei da anistia
acompanhado da companheira Renée

Junto com libertários, sonhadores
das muitas Comunidades e pastorais
funda um Partido de Trabalhadores
cidadãos operários e intelectuais

Guerreiros que com muita valentia
após vinte um ano de obscuridão
ajudaram a instaurar a democracia
nos legando uma cidadã constituição

Apolonio de Carvalho é homenageado
por sua luta pelo bem estar comum
e se torna no histórico filiado
merecedor de ser a ficha número um

Ficha limpa, ficha pura, genuina
digna de quem viveu só para lutar
vivendo longe dos dutos da propina
e falando que “Vale a pena sonhar”

Antonio, o seu Cândido camarada
diz que Apolonio lutou com paixão
pra ver uma sociedade transformada
“num timbre especial de elevação”

Sua busca por soluções coletivas
achava como um sonhador e lutador:
Socialismo é uma força corretiva
ao capitalismo cruel, explorador

Lindo Apolonio Internacionalista
desde Aliança Libertadora Nacional
soube nos princípios Socialistas
ser honrado, honesto, fiel, leal…

Ele e sua Rennée guerreira bonita
claro que nas devidas proporções
lembram Garibald e a linda Anita
também heróis dos povos, nações

Guerrilheiro cavalheiro, boa praça
fala mansa, no jeito de enternecer
dizia até nas noites das desgraças
“Para viver é preciso merecer viver”

*Jetro Fagundes
Farinheiro Marajoara

Mantém o blog “Ventos que sopram do Marajó

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