O medo está no que não podemos ver

Por Paula Cajaty (*)

O melhor jeito de se livrar de um medo é tirar a máscara dele, é tomar coragem, acender a luz e olhar com vontade para aquilo que mais apavora. O que amedronta não é a feiúra do lobisomem, a mortalidade de uma bactéria, a capa de um vampiro, as lavas do vulcão, a arma do assaltante ou a gargalhada louca de uma bruxa, mas exatamente a imagem interna que temos disso tudo.

Quanto mais o medo fica no escuro, mais ele cresce. E quanto mais ele cresce, menos a gente quer acender a luz. Com medo de enfrentar o objeto do pavor. O maior de todos é o pânico do medo.

Aliás, por saberem exatamente disso é que os filmes mais aterrorizantes são justo aqueles em que menos se mostra, e por tudo isso Hitchcock foi um gênio. O medo está no que não podemos ver. E ele sabia disso.

Nesse primeiro semestre, muita coisa assustadora aconteceu, muita mesmo.

Medos coletivos e individuais, medos absurdos do mundo inteiro, e até esses medos ridículos de olhar a conta do cartão de crédito (se eu pudesse, juro que pagava sem olhar…). Enfim, desde a inflação, passando pelas UPPs, tragédias e debacles* de nosso universo particular.

Mas, ao fim e ao cabo, acende-se a luz. E só assim podemos começar a pegar o estilingue e mirar na cabeça do monstro.

*Paula Cajaty é escritora.

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