A voz do invisível

A (quase) invisível natureza urbana Foto: Ana Helena Tavares

A voz do invisível

Por Paula Cajaty (*)

Quando o invisível fala com a gente, não há como deixar de ouvir.

Pode-se ouvi-lo quando um alguém muito querido parte para nunca mais, ou quando um livro se abre e ele sussurra por entre as páginas.

Eu o ouço quando uma poesia arrebata entre um passo e outro, quando misturo as cores e alcanço a tonalidade certa das palavras, quando beija-flores desafiam o ar, quando as nuvens fogem do céu e se escondem além do infinito.

Ouço especialmente o invisível quando o dia ainda não nasceu, mas já anuncia em silvos a sua chegada. Ou quando escuto a noite se despedir no ressonar dos anjos, dos meus anjos.

Quando isso acontece, quando o milagre se corporifica não só pela luz, mas por som e palavra, tenho certeza que, por mais que eu olhe para o teto esmaecido e infinito do meu quarto, Deus continua à espera, no telhado. Falando baixo para que só eu possa escutar.

*Paula Cajaty é escritora.

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