Que tal Tiririca na ABL? O perigo é o deputado ficar desmoralizado

Por Laerte Braga (*)

Quando o ex-presidente JK perdeu as eleições na Academia Brasileira de Letras para o escritor goiano Bernardo Elis, independente do fato político, o período era o da ditadura militar, do ponto de vista de uma academia de letras a vitória de Elis foi a de um dos maiores contistas brasileiros.

A esculhambação começou quando José Sarney, então presidente da República, chegou à imortalidade. Millôr Fernandes tentou decifrar o livro – vá lá – do atual presidente do Senado (“Brejal dos Guajás”) e produziu em seu quadrado então no JORNAL DO BRASIL, a mais devastadora e real análise de um amontoado de besteiras escritas por um escritor que pensa que é político, ou vice-versa.

Daí para a frente o convescote de duas vezes por semana da ABL foi incorporando algumas figuras de “notório valor literário”. Paulo Coelho que teve seu primeiro livro escrito por outra pessoa (revelação feita pelo jornalista Fernando Moraes em livro sobre o escritor).

As intenções de Machado de Assis terão sido eivadas de propósitos os mais dignos possíveis. É um dos grandes escritores em qualquer língua que seja lido.

Mas Merval Pereira? Putz! Daqui a pouco estão abrindo espaços para Miriam Leitão, William Bonner, etc, etc.

O perigo de Tiririca vir a ser candidato a imortal é a desmoralização do deputado. Do jeito que as coisas andam e se alguém insinuar isso ao dito, o dito deve pensar muitas vezes antes de se aventurar a esse mundo sombrio e vetusto. Corre o risco de embaralhar de tal jeito a cabeça que o TSE – TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL –, com certeza, cassa-lhe o mandato por analfabetismo.

Eu não sei como FHC ainda não pleiteou vaga entre os imortais. Creio que o ex-presidente considera-se um enviado do Olimpo e por isso não tenha necessidade do chá das cinco.

Está acima desses debates semanais sobre se tem vírgula ou não, ou sobre se Monteiro Lobato era racista e precisa ser corrigido para salvação da literatura infantil no Brasil.

Só pode.

Deve ter fila na redação do GLOBO, no complexo de empresas do grupo, para um a um todos chegarem à imortalidade.

E patrocínio do sabão OMO e do tal tira manchas que limpa tudo.

Não é nem necessário dizer que todos usam colgate e os vasos sanitários são limpos com Harpic.

Os crackers são ingleses.

Falta agora o governador Sérgio Cabral, amigo do peito de Luciano Huck, um dos próximos imortais com certeza, vir a público solenemente dizer que o governo do estado vai patrocinar o fardão.

A sorte que essa imortalidade, para a maioria dos chamados imortais, dura só durante a vida mortal. Meio confuso? Mas dá para entender. Os caras se esgotam quando entram na horizontal. Falo da profusão de Merval Pereira e que tais.

Tiririca que abra os olhos caso lhe seja proposta essa armadilha. Vai perder por completo a reputação.

*Laerte Braga é jornalista.

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