O descontrole de Serra

Por Laerte Braga (*)

Exercendo mandatos há vários anos, deputado, senador, prefeito, governador, ministro em duas oportunidades (Planejamento e Saúde, ambas no governo FHC) José Serra mostra-se visível e publicamente descontrolado desde a derrota nas eleições presidenciais do ano passado.

Um breve período de silêncio e uma espécie de ressurreição fantasmagórica em seu próprio partido, o PSDB, na tentativa de assegurar uma terceira corrida para chegar a presidência da República. Conta com o apoio de FHC e seu alvo principal é o ex-governador Minas Aécio Neves.

Como tem o hábito de dormir pouco, dizem que três horas por noite, há quem jure ter visto o ex-governador paulista pelos corredores do Senado, entre outras coisas falando sozinho, brigando com inimigos invisíveis e acima de tudo culpando Lula de todas as tormentas que tem enfrentado.

Na cabeça de Serra existem três exemplos de políticos que tentaram diversas vezes a presidência de seus países e conseguiram. Salvador Allende no Chile, François Mitterand na França e o brasileiro Luís Inácio Lula da Silva. Argumenta que levando em conta a idade de Aécio Neves o mineiro pode esperar mais um pouco, até porque tem mandato de oito anos e controla com mãos de ferro o governo de seu estado.

É o que José Serra vem tentando fazer com Geraldo Alckimin em São Paulo. Só falta expulsar pastel de vento para uma sala ao lado, anexa e despachar direto da sala do governador.

Brigou com o deputado federal Marcus Pestana, presidente do PSDB de Minas e um dos principais aliados de Aécio Neves (Pestana foi secretário de Saúde por oito anos, quando desmontou o setor em Minas), numa invasão em que a troca de palavras não foi propriamente inamistosa, mas agressiva, rude e baixa.

Há quem jure também que o espírito de Jânio Quadros tomou conta de José Serra e transformou-se numa obsessão para o tucano.

O primeiro delírio mau caratista de José Serra foi quando recebeu na Transilvânia a notícia que a presidente Dilma Roussef estava com pneumonia. Fez avaliações e concluiu que era hora de sair do caixão e assombrar o Brasil e os brasileiros, pois, de repente, a doença da presidente poderia ter voltado e a perspectiva de uma nova eleição poderia vir a ser uma realidade.

O segundo foi quando elaborou um documento com críticas ao governo federal que nem FHC endossou, ainda embalado pelos elogios que lhe fez Dilma Roussef.

Neste momento o ex-governador paulista tenta a todo custo desmontar o esquema do senador Aécio Neves (pré-candidato a presidente do PSDB em 2014) que, por sinal, faz o mesmo raciocínio, ou quase o mesmo, que seu adversário. Se Dilma for reeleita ou Lula voltar, suas chances reais serão em 2018. Mas não abre mão de disputar as eleições e alega que agora é sua vez.

Serra montou um forte dossiê contra Aécio e esse, por sua vez, um forte dossiê contra Serra. Serra já alertou que passa ao largo da campanha eleitoral de 2014 se não for ele o candidato (sorte de Aécio) e Aécio já disse que pode até sair do partido se Serra for o candidato.

Em Minas quando o moribundo custa a bater as botas, resiste de todas as formas, costuma-se dizer que o “compadre agarrou na vida dum jeito que num tem jeito, só com um empurrãzinho, do contrário a gente vai ter que ficar de plantão um baita tempo sô”.

Serra imagina ser como a Fênix, ressurge das cinzas num resplendor capaz de ofuscar mortais comuns e transformar-se em algo dourado que vai pairar sobre Brasília, o Brasil e os brasileiros por oito anos, até passar a escritura definitiva do País para o conglomerado EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

Dá palpites no governo de Alckimin, tenta passar por cima do governador, interfere em decisões das bancadas federais (Câmara e Senado), convoca reuniões aqui e acolá, entrevistas coletivas à imprensa, enfim, pirou.

E pirou de vez.

Sonha que está tomando posse como presidente, ora tem pesadelos com Aécio desfilando em carro aberto até chegar ao Planalto e subir a rampa e isso acordado, já que não tem o hábito de dormir, ou o faz muito pouco.

A princípio encontrou algum público dentro de seu partido e mesmo entre jornalistas. Neste momento corre o risco de acabar pregando sozinho na Praça da Sé. Ou ocorre um milagre, ou o ex-governador vai começar a brigar com fantasmas.

Virou espalha bolinho. Aquele chato que desmancha qualquer conversa.

Deve tentar Lúcia Hipólito e Miriam Leitão como companheiras de jornada. São dadas a delírios, a previsões e augúrios negativos. Miriam Leitão adora análises econômicas que falam em catástrofes, crises monstruosas, pode ser uma boa parceira para o descontrole de José Serra.

Ou, então, chama um exorcista e dá um jeito de mandar para o espaço o espírito de Jânio Quadros. Mortadela com pão e uma dose de pinga não fazem o feitio José Serra, mais para sangue dos brasileiros que outra coisa qualquer.

Em qualquer lista de chatos José Serra, hoje, é pole position. E isso para um político é um desastre. Quando o telefone toca o cara já manda avisar – Se for o Serra diga que sai e só volto na semana que vem.

E Dilma que tome cuidado, é possível que numa fase mais aguda da doença o tucano possa invadir seu gabinete, assentar-se à sua cadeira à frente de sua mesa e começar a despachar.

Aí só com Corpo de Bombeiros. E camisa de força.

*Laerte Braga é colaborador do “Quem tem medo da democracia?”, onde mantém a coluna “Empodera Povo“.

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