Morte de Bin Laden: História ainda mal contada

História ainda mal contada

Por Mario Augusto Jakobskind (*)

Mergulhado em um ostracismo absoluto, Osama Bin Laden volta às primeiras páginas dos jornais de todo mundo, desta vez com o anúncio sobre o seu fim provocado por forças especiais estadunidenses, a 60 quilômetros de Islamabad, no Paquistão. O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama divulgou o fato na maior pompa, o que originou uma série de comemorações entre os cidadãos norte-americanos.

Bin Laden já estava fora de circulação há anos e nem por isso o mundo estava mais calmo, como passaram a dizer alguns dirigentes de nações após a morte do número 1 da Al Qaeda. Volta e meia ocorrem alertas sobre possíveis atentados e nos aeroportos em todas as partes ocorrem ações preventivas rigorosas.

A história dos atentados ao World Trade Center e ao Pentágono seguem revestidos por uma série de dúvidas até hoje não esclarecidas. E com o passar do tempo fica ainda mais difícil para se fechar a história. Já se escreveu e comentou uma série de histórias, algumas delas se apagaram com o correr do tempo por total falta de confirmação. Não é à toa que persistem as dúvidas.

Agora mesmo depois do anúncio de Obama, nem tudo pode ser devidamente confirmado. Fontes oficiais revelaram que exame de DNA mostrou que o corpo era mesmo de Bin Laden. Algumas TVs do Paquistão e de outras partes do mundo mostraram a foto de um morto dizendo que era o corpo de Bin Landen. Pouco tempo depois, os editores foram obrigados a tirar a foto do ar porque descobriram que era mesmo falsa e já tinha ido ao ar no ano passado.

Até o momento os EUA não apresentaram o corpo, que segundo se informa, foi jogado ao mar, aumentando o mistério em torno do fato. A verdade é que as informações da Casa Branca e do Departamento de Estado são sempre passíveis de questionamentos. Quem não se lembra das armas de destruição em massa no Iraque, que nunca existiram, como ficou constatado oficialmente pouco tempo depois? Mas quando isso aconteceu, o Iraque já tinha sido ocupado.

E assim marcham os acontecimentos. Barack Obama vai aproveitar o embalo para mostrar à opinião pública estadunidense que foi ele quem ordenou a operação de eliminação do chefe da Al Qaeda no ostracismo. A operação em si deu um passo decisivo no sentido da reeleição do ocupante da Casa Branca. Mas como ainda falta cerca de um ano e meio para a eleição presidencial, tudo pode acontecer.

Ninguém em sã consciência pode confiar integralmente nas informações correntes, pelo menos até agora. Fica muito difícil tirar qualquer conclusão sobre a morte, ou assassinato, como preferem alguns, sem a apresentação do corpo.

Mal comparando, em 8 de outubro de 1967 quando a CIA assassinou Che Guevara na Bolívia, algumas horas depois do fato o corpo foi apresentado ao mundo. Pode-se imaginar então que uma figura tão procurada como Bin Laden não seja apresentada ao mundo depois de morto? Dá para confiar apenas na palavra dos serviços de segurança dos EUA e do próprio Barack Obama?

Além disso, a partir de agora os meios de comunicação passarão meses e meses falando sobre o fato e os analistas de sempre serão convocados para opinarem sobre as perspectivas do mundo sem Bin Laden etc e tal. E com a reeleição de Barack Obama

Mas poucos comentarão o fato de a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estar exorbitando com os bombardeios sobre a Líbia e ter matado um filho e três netos de Muammar Khadafi. Afinal, as Nações Unidas aprovaram supostamente “proteger a população civil” e não avançar com o objetivo de eliminar o dirigente líbio. É o que estão fazendo, numa demonstração concreta de terrorismo institucional.

Claro, isso não aparece na mídia de mercado. Salvo posicionamento crítico do Primeiro Ministro russo Vladmir Putin e dirigentes chineses, os demais integrantes permanentes do Conselho de Segurança aprovam o que vem sendo feito na Líbia em matéria de subversão da legislação internacional.

Com a volta de Bin Laden para as primeiras páginas, o que está sendo feito na Líbia pelas forças européias e dos EUA passou para um segundo plano. Nem por isso as ilegalidades pararam.

*Mario Augusto Jakobskind é jornalista.

=> Charge: Carlos Latuff

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