Episódio de subserviência da era FHC deve servir de reflexão

Por Mário Augusto Jakobskind (*)

Há cerca de nove anos, em pleno governo Fernando Henrique Cardoso ocorreu um fato protagonizado pelo então Ministro do Exterior, Celso Láfer, que envergonhou o Brasil. Láfer simplesmente tirou os sapatos no aeroporto de Miami, não se incomodando em ser revistado pela alfândega.

A ocorrência foi lembrada nesta última terça-feira (14) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) como exemplo concreto da submissão do governo tucano aos Estados Unidos. Se tivesse um mínimo de dignidade, Láfer poderia ter se negado a passar pelo vexame e avocar a sua condição de Ministro. E caso não fosse atendido poderia se recusar a entrar em território estadunidense, criando um caso diplomático.

Preferiu se deixar revistar e, ainda pior, não abriu a boca quando o fato se repetiu durante visita oficial nos aeroportos de Washington e Nova York. Ou seja, querendo ou não querendo o próprio Láfer e o ex-Presidente FHC, o que aconteceu em setembro de 2002 nos EUA deve ser lembrado, como fez agora IPEA, até para não se repetir.

O episódio deve servir de reflexão a muitas outras coisas do gênero que podem ter acontecido ao longo dos anos e seguem escondidos da opinião púbica. Se um ministro tirou os sapatos sem pestanejar, o que pode ter ocorrido nos bastidores dos governos? É preciso que os cidadãos brasileiros saibam de tudo, pois afinal de contas, os arquivos, secretos ou não, ajudam a se conhecer a história de um país. Pode-se imaginar por qual motivo, digamos, em 2111 (dois mil cento e onze) documentos atuais ou das últimas décadas não poderão ser conhecidos?

Da mesma forma que agora, qual o motivo de os documentos da época da Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai, por exemplo, permanecerem guardados a sete chaves? No caso paraguaio, porque o Brasil não devolve ao país vizinho todo o material roubado daquela época?

Os hoje senadores José Sarney, Fernando Collor de Mello, o atual Vice-Presidente Michel Temer e a própria Presidenta Dilma Rousseff não pensam assim. Todos os mencionados decidiram acatar o questionamento das Forças Armadas e do Itamaraty no sentido de tornar fechados por tempo indeterminado documentos que possivelmente servem para se conhecer melhor a história brasileira. E, consequentemente, navegar melhor para o futuro.

Em várias áreas, como por exemplo, a midiática, a lembrança de fatos históricos longínquos ou não tão remotos ajudam também a entender melhor o comportamento de certas empresas do setor nos dias de hoje. Conhecer o passado deste setor fica ainda mais claro entender porque nos dias atuais alguns meios de comunicação agem de forma golpista se apresentando como democratas, simplesmente não reconhecendo que no passado tiveram responsabilidade conjunta com as autoridades que governavam o país de forma ditatorial. Alguns jornais na prática chegaram a se tornar uma espécie de diário oficial de generais de plantão e hoje se apresentam como se não tivessem nada a ver com isso.

A lembrança que o IPEA apresenta sobre Celso Láfer de alguma forma remete à discussão não apenas sobre política externa, como para questões internas e ainda presentes no atual momento.

No Congresso se discute a criação da Comissão da Verdade. O tema é importante no âmbito da memória e justiça. Para que se torne uma realidade concreta é preciso que amplos setores da sociedade brasileira sejam informados sobre o tema, que não pode ficar restrito à discussão no Parlamento. Evitar que isso aconteça corresponde ao mesmo tipo de estratégia de se esconder o passado tornando documentos secretos ou ultrassecretos em um determinado momento simplesmente misteriosos permanentemente. Isso não se coaduna com o processo democrático, muito pelo contrário.

Há hoje setores das elites que se mostram indignados, hipocritamente ou não, com a não revelação de certos documentos, mas esquecem do papel que tiveram em anos não tão remotos em termos históricos.

*Mario Augusto Jakobskind é jornalista.

1 reply »

  1. O fato do então ministro das Relações Exteriores do Brasil no descalabro administrativo que marcou os 8 anos de FHC, nos causa vergonha, afinal ele era o representante do país naquela oportunidade e se portou bovinamente como um frouxo, um tremendo “nádegas caídas”, num homúnculo desprezível, indígno de ser representante de coisa alguma, muito menos nos enxovalhando! Seguramente se portou seguindo a orientação de seu chefe, o fantoche , entreguista servil e tapete passador FHC de triste memória!

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