Marcha das Vadias e Beijaço Gay no Recife

Por Sulamita Esteliam (*)

Irreverência e bom humor deram o tom à Marcha no Recife – Foto: JC Online
Cartazes protestavam contra a violência sexual e sexista -Tatiana Nascimento/DP
Pedro Jesus organizou a Marcha – Tatiana Nascimento/DP
Tatiana Nascimento/DP

Queria muito, mas não pude estar presente à Marcha das Vadias no Recife. Fiquei chateada, mas fazer o quê. Aconteceu no sábado, saindo da Praça do Derby, área central do Recife, onde se deu a concentração, a partir das 15 horas. Cerca de 200 mulheres, e homens, segundo a cobertura na rede – a melhor está aqui -, caminharam pela Conde da Boa Vista, portando cartazes e fantasias bem-homoradas para denunciar: “Machismo mata”.

Ativismo também combina com humor e irreverência. O curioso é que a organização da marcha, convocada, estritamente, via redes sociais,  partiu de um homem: o estudante de Ciências Sociais, Pedro Jesus, que compareceu vestido a caráter.

A marcha é inspirada no protesto canadense – Sluts Walks – contra a criminalização das vítimas de estupro, da violência contra a mulher. Toronto, Los Angeles e Chicagos, Buenos Aires e Amsterdã, entre outras cidades do mundo  já  realizaram a marcha. Dia 04 foi em São Paulo – aqui, neste blogue. Dia 18, estará em Brasília, concidindo com o 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas e com a Marcha da Liberdade. Saída em frente ao Conjunto Nacional.

As mulheres paraibanas, também, estão articulando a parada em João Pessoa. Mas vem de lá a primeira oposição manifesta sobre a terminologia: “Vagaba” seria adjetivo muito pesado. A discordância é um direito.

Todavia, mais pesada é a bota do machismo e do preconceito fácil que massacra o nosso direito de sermos livres e perpetua a violência em nome da hipocrisia de trajes e costumes. Vadias e vagabundas, se existem, são cultivadas pela sociedade há trocentos anos. É a minha opinião, ninguém precisa concordar com ela.

Tem horas que é preciso chutar o pau da barraca, mesmo que simbolicamente.

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No domingo, 12, Dia dos Namorados, foi a vez dos homossexuais protestarem. UmBeijaço entre casais homoafetivos reuniu 50 pessoas no Sítio da Trindade. A escolha do local, segundo os organizadores, tem razão de ser: o parque é espaço tradicional da família pernambucana, e os gays querem mostrar que “também têm família”.

Registre-se que Pernambuco já ostentou, há bem pouco tempo, a triste liderança de violência contra homossexuais no país. Felizmente, estes são índices em declínio, mas ainda há muito que caminhar na luta contra o preconceito e a discriminação – aqui e Brasil afora.

*Sulamita Esteliam é jornalista.

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