Bombeiros presos no Rio de Janeiro por protestar contra baixos salários estão sem água e comida, dizem familiares

JB Online Os bombeiros presos após a invasão ao Quartel Central do Corpo de Bombeiros, no Centro do Rio, estariam sofrendo maus tratos na Corregedoria da Polícia Militar em São Gonçalo, para onde foram encaminhados, de acordo com familiares e integrantes da comissão de direitos humanos da OAB-RJ. Mulher do cabo André Luiz, um dos presos, Cristiane Dionísio afirmou que vários estariam ainda impedidos de sair dos ônibus que o transportaram pela manhã.

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Neste domingo, 05 de Junho, a partir das 12h haverá um protesto em apoio aos bombeiros presos (950 reais de piso salarial pra quem arrisca a vida só pode ser piada). Será em frente à sede da Alerj, Av. Presidente Antonio Carlos, centro do RJ.

Quem não puder comparecer e quiser manifestar seu apoio, pode assinar uma petição, clicando aqui.

Abaixo, matéria do JB Online

Rio – Os bombeiros presos após a invasão ao Quartel Central do Corpo de Bombeiros, no Centro do Rio, estariam sofrendo maus tratos na Corregedoria da Polícia Militar em São Gonçalo, para onde foram encaminhados, de acordo com familiares e integrantes da comissão de direitos humanos da OAB-RJ. Mulher do cabo André Luiz, um dos presos, Cristiane Dionísio afirmou que vários estariam ainda impedidos de sair dos ônibus que o transportaram pela manhã.

“Eles estão sem água e comida desde de manhã. Somente os líderes do movimento foram levados para salas. Os demais estão confinados nos ônibus em uma situação indigna”, afirmou. Ela conseguiu contato com outros militares detidos através de celulares, mas informa que a comunicação é precária.

“Alguns familiares conseguiram um pouco de água e comida para eles. Me informaram também que um promotor, com pena, teria comprado pão e mortadela”.

A cúpula da segurança pública do Rio cogitou a hipótese de levar as lideranças do movimento para uma unidade prisional dos bombeiros na Quinta da Boa Vista, na Zona Norte. O restante seria levado para uma unidade-escola da corporação em Jurujuba, em Niterói.

De acordo com a mulher do cabo detido, as afirmações do governador Sérguio Cabral com relação ao programa de reajuste salarial da categoria não são verdadeiras. O governador afirmou que o vencimento, atualmente de R$ 950, chegaria até R$ 2 mil até o final do ano.

“Não é verdade, este valor só seria atingido em 2014. Além disso, esta manifestação era pacífica, tanto que havia mulheres e crianças dentro do quartel. O Bope entrou atirando”,acusou.Manifestação e invasão de quartel

Manifestação e invasão a quartel

Parte dos cerca de dois mil manifestantes que invadiram o quartel dos Bombeiros na sexta-feira fizeram um escudo humano com as mulheres que participaram do protesto para impedir a entrada da cavalaria da PM no local. Um carro que estava estacionado no pátio do quartel foi manobrado para bloquear a entrada.

Na noite de sexta-feira, o comandante do Batalhão de Choque, coronel Waldir Soares Filho, foi ferido na perna. “Agora a briga é com a PM”, avisou o comandante-geral, Mário Sérgio Duarte, ao saber da agressão. Ele foi ao pátio da corporação com colete a prova de balas e bloqueou com carro a saída do QG. Por volta das 22h, alertou que todos seriam presos se não deixassem o quartel. Mário Sérgio prendeu o ex-corregedor da PM coronel Paulo Ricardo Paul, que apoiava o protesto. O secretário de Saúde e Defesa Civil do estado, Sérgio Côrtes, decidiu antecipar a volta dos EUA ao Rio.

Os bombeiros espalharam faixas, a maioria pedindo “socorro” para a categoria. Relações públicas da corporação, o coronel Evandro Bezerra afirmou que caberia à Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil decidir o que seria feito. A manifestação teve início por volta das 14h, na escadaria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Mais de 4 mil pessoas participaram do protesto, que seguiu pela área central de vias como a rua Primeiro de Março e a avenida Presidente Vargas. Os manifestantes soltaram fogos de artifício e foram acompanhados por policiais militares, mas o protesto seguiu de forma pacífica. De acordo com estimativas dos líderes da manifestação, mais de 5 mil pessoas participaram da passeata.

Os protestos de guarda-vidas começaram no mês passado, com greve que durou 17 dias e levou cinco militares à prisão. A paralisação acabou sendo revogada pela Justiça. Eles voltaram às ruas com apitaço e fogos de artifício. À tarde, pelo menos três mil protestaram na escadaria da Assembleia Legislativa (Alerj). Um dos líderes do movimento, cabo Benevenuto Daciolo, explicou que eles voltaram às ruas porque até agora não teriam recebido contraproposta do estado sobre a reivindicação de aumento do piso mínimo para R$ 2 mil. Segundo ele, os guarda-vidas recebem cerca de R$ 950.

Wikileaks: menores de idade em Guantánamo eram tratados como presos comuns

Por Paulo Cezar Pastor Monteiro No ápice da campanha militar da administração de George W. Bush e de termos como “guerra contra o terror” e “eixo do mal”, os Estados Unidos prenderam menores de idade muçulmanos e os interrogaram no presídio de Guantánamo, em Cuba. A informação aparece em documentos publicados e divulgados pelo Wikileaks.

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Por Paulo Cezar Pastor Monteiro (*), para o “Opera Mundi” 

No ápice da campanha militar da administração de George W. Bush e de termos como “guerra contra o terror” e “eixo do mal”, os Estados Unidos prenderam menores de idade muçulmanos e os interrogaram no presídio de Guantánamo, em Cuba. A informação aparece em documentos publicados e divulgados pelo Wikileaks.

Entre os detidos estavam Omar Ahmed Khader, canadense, de 17 anos (à época de sua transferência para o presídio cubano), Yasser Talal, saudita, também de 17, e Naqibullah, paquistanês, de apenas 15 anos.  Segundo informações do jornal espanhol El País, Yasser Talal, assim como outros dois presos, cometeu suicídio se enforcando.

Os documentos não sugerem e nem demonstram nenhum sinal de preocupação com a faixa etária dos três suspeitos. Os relatórios revelam que eles eram tratados de acordo com o perigo que, teoricamente, representariam. E também pelas informações que poderiam fornecer a respeito de grupos ou acampamentos terroristas.  

A ficha de Naqibullah, o mais novo entre os três menores, relata que ele foi sequestrado e, após isso, estuprado por membros do Talibã. O texto informa que o obrigaram a realizar serviços manuais em um acampamento na vila de Khan, no Afeganistão.

Enquanto estava sequestrado, o exército norte-americano realizou uma incursão no local e capturou diversos integrantes do grupo, inclusive o menor. De acordo com a mensagem, ele não ofereceu resistência: “o detido foi capturado em posse de uma arma, mas esta não havia sido disparada”.

Mesmo sem representar perigo, Naqibullah foi levado para Guantánamo em janeiro de 2003. O texto explica que os EUA esperavam obter dele informações a respeito dos acampamentos do Talibã na região onde ele permaneceu detido.

Em agosto de 2003, oito meses após ter sido preso, os responsáveis pelo presídio fizeram uma nova avaliação e apontaram que, “embora o detento pudesse ter informações” relevantes para a inteligência norte-americana, deveria ser dada a ele a “oportunidade de ‘crescer fora’ do extremismo radical ao qual foi submetido”.

Sem arrependimento

Omar Ahmed Khader é classificado como um detento com “alto valor de inteligência” e de “alto risco” para os EUA e seus aliados. A ficha relata que, em uma incursão do exército norte-americano a “uma suposta” sede da Al Qaeda, o detento teria matado um soldado utilizando-se de uma granada de mão. Ele foi preso nessa ação e transferido para Guantánamo em outubro de 2002.

Segundo o documento, o pai de Khader era apontado como um amigo íntimo de Osama Bin Laden. Ele teria incentivado que seus dois filhos fossem para o Afeganistão para dar apoio à Al Qaeda e ao Talibã na luta contra os Estados Unidos.

De acordo com o relatório, Khader era habilidoso no uso de explosivos e armas e se destacava nos treinamentos. Nos interrogatórios, ele teria dado “informações valiosas” de amigos próximos a seu pai, de organizações de apoio à Al Qaeda, além de detalhes sobre campos de treinamentos pelos quais teria passado. “Embora tivesse apenas 16 anos na época de sua viagem ao Afeganistão, foi avaliado como uma pessoa inteligente e instruída, que compreende a gravidade de suas ações e afiliações”, afirma o texto.

Apesar de ser mostrar “cooperativo” e “comunicativo”, a mensagem diz que ele agia de maneira hostil aos seus interrogadores e aos guardas do presídio. O texto também observa que Khader ainda “permanecia fiel aos valores islâmicos” e que “não demonstrava nenhum sinal de arrependimento pela morte do soldado”.

Jihad

O jovem Yasser Talal tinha 17 anos e vivia na Arábia Saudita quando decidiu ir para o Afeganistão para se tornar um jihadista e lutar contra os Estados Unidos. A mensagem esclarece que ele considerava a jihad (“guerra santa”) como um dever religioso de um “bom muçulmano”. Ele viajou para Kundur, no Afeganistão, onde recebeu treinamento de como usar metralhadoras, armas de pequenos calibre e explosivos.

Cerca de um mês após ter se mudado para o centro de treinamento, o local onde ele estava foi cercado por militares norte-americanos. Durante a operação, Yasser foi ferido por um disparo.  Após sua captura, Yasser recebeu atendimento médicos e, em 20 de janeiro de 2002, chegou em Guantánamo. A ficha prisional avalia que ele representava um nível médio de perigo e baixo de inteligência, mas que deixava claro a sua aversão aos guardas e aos Estados Unidos. “Ele ameaçou abrir a barriga de um dos guardas e disse que beberia o sangue dele”, acusa a mensagem.

A ficha de Talal é encerrada em março de 2006. Em sua última avaliação, ele ainda era apontado como perigo potencial para os Estados Unidos.

*Agradeço ao amigo Paulo, jovem jornalista de Sampa (terra que está mesmo precisando de sangue novo como o dele), pelo envio do texto. O próximo dele será publicado na parte “colunas”.

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