Filho de brigadeiro herói de guerra lamenta destruição do vínculo entre militares e o país

“Vai ser um caminho difícil, duro, sofrido até que as novas gerações de militares, de oficiais e subalternos consigam se reencontrar com seu POVO e seu PAÍS. Isso se realmente desejarem tal reencontro e o encontro novamente da razão de sua existência.”

Pedro e seu pai, o brigadeiro Rui.

Por Pedro Luiz Moreira Lima*

Tenho maior respeito e carinho pela carreira militar. Afinal, meu pai e dois tios foram militares da Força Aérea Brasileira (FAB). Assim, não poderia ser diferente.
Aprendi com eles a repudiar por completo o militarismo e suas ditaduras.
Em nossas Forças Armadas (FAs) sempre houve divisões: Golpistas x Legalistas, Nacionalistas x Entreguistas e mesmo Esquerda x Direita.
O Golpe de 64 foi a vitória dos golpistas e o afastamento pela força e violência dos Legalistas. Havia divisões entre eles, Golpistas Entreguistas x Golpistas Nacionalistas e, graças a essa divisão entre os militares, o Estado Brasileiro não foi destruído, apesar das corrupções e violências cometidas.
Hoje, nossas FAs estão com seríssimos problemas em todos os sentidos: pessoal, treinamento, material. Em suma, TUDO! O pior dos piores foi a completa destruição de valores que marcam a vida militar – a Defesa das Instituições e da Soberania do Brasil.
Os atuais militares podem ter o que há de melhor em tecnologia, equipamentos e etc etc. No entanto, continuarão desarmados e inúteis, pois foi destruído o vínculo entre eles e o nosso país.
São hoje FAs sem compromisso com seu juramento perante ao Povo Brasileiro, sem Defesa das Instituições e da Soberania.
Nossas FAs não existem mais, se transformaram num bando de carreiristas e, pior, até alguns ligados à criminalidade.
Muito triste, tragicamente triste – um silêncio completo para a entrega do pré- sal, da Amazônia, da Base de Lançamento de Alcântara, da Embraer, da Tecnologia, da Ciência enfim de TUDO, TUDO!!!
Vai ser um caminho difícil, duro, sofrido até que as novas gerações de militares, de oficiais e subalternos consigam se reencontrar com seu POVO e seu PAÍS. Isso se realmente desejarem tal reencontro e o encontro novamente da razão de sua existência.

*Pedro Luiz Moreira Lima é filho do brigadeiro Rui Moreira Lima, herói da segunda guerra mundial, militar nacionalista e legalista cassado por se opor ao golpe de 1964. Em breve, será lançada uma biografia de Rui.

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Sobre os surtos neofascistas e a covardia

Foto: Martin Acosta/Reuters

A ex-presidenta Dilma Rousseff recebeu do jornal Estado de S. Paulo uma pergunta sobre o que ela pensa da defesa que
Eduardo Bolsonaro fez do AI-5, ao dizer que eventuais protestos contra o governo poderiam tornar necessário um ato de força semelhante.

Eis a resposta, em nota enviada ao jornal:

*SOBRE OS SURTOS NEOFASCISTAS E A COVARDIA*

_Dilma Rousseff_

Ninguém, dos órgãos de imprensa, pode se declarar surpreendido pela manifestação do deputado Eduardo Bolsonaro a favor do AI-5. Na verdade, ninguém pode se surpreender porque já houve seguidas manifestações contra a democracia por parte da família Bolsonaro. Defenderam a ditadura militar e, portanto, o AI-5; reverenciaram regimes totalitários e ditadores; homenagearam o torturador e a tortura; confraternizaram com milicianos. Desde sempre pensaram e agiram a favor do retrocesso. Antes das eleições não havia duvidas a respeito. Durante as eleições e depois dela, muito menos, pois têm se expressado contra a democracia e os princípios civilizatórios em todas as oportunidades que tiveram.

O grave é que nunca receberam da imprensa a oposição enérgica que mereciam. Ao contrário, acredito que a imprensa fez vista grossa ao crescimento do neofascismo bolsonarista, porque este adotara a agenda neoliberal. É que, além das pautas neofascistas, a extrema direita defende a retirada de direitos e de garantias ao trabalho e à aposentadoria; as privatizações desnacionalizantes das empresas públicas e da educação universitária e a suspensão da fiscalização e da proteção ambiental à Amazônia e às populações indígenas. Não é possível alegar surpresa ou se estarrecer diante da defesa do AI-5. Na verdade, em prol da realização da agenda neoliberal, na melhor hipótese se auto iludiram, acreditando que poderiam cooptar ou moderar Bolsonaro.

Mas a defesa do AI-5 e da ditadura sempre esteve lá.

Vamos novamente lembrar, o chamado filho 03, que agora diz que considera o AI-5 necessário, é o mesmo que, há algum tempo, disse que “um soldado e um cabo” bastavam para fechar o STF. Óbvio que sem o poder coercitivo de um AI-5, isto nunca seria possível.

O presidente, então ainda deputado, proferiu no plenário da Câmara um voto em que homenageou um dos mais notórios e sanguinários torturadores do regime militar. Aquele coronel só agiu com tal brutalidade contra os opositores do regime militar porque estava protegido pelo AI-5.

Jair Bolsonaro afirmou em entrevista que a ditadura militar cometeu poucos assassinatos de opositores políticos. E que os militares deviam ter matado “pelo menos uns 30 mil”. Também afirmou, na campanha do ano passado, que, se vencesse a eleição, só restariam dois caminhos aos petistas – o exílio ou a prisão – e de que maneira isto seria possível sem a força brutal de um ato institucional como o AI-5?

É estranho que me perguntem o que eu acho da última declaração sobre o AI-5, pois a minha vida toda lutei, e continuo lutando, contra o AI-5, seus assemelhados e seus defensores. O Estadão, que me faz esta pergunta, também deve e precisa responder, pois sua posição editorial tem sido, diga-se com muita gentileza, no mínimo ambígua diante da ascensão da extrema direita no País.

Quem nunca questionou as ameaças da família Bolsonaro com a firmeza necessária e que, em nome de uma oposição cega, covarde e irracional ao PT, se omitiu diante do crescimento do ódio e da extrema-direita, tornou-se cúmplice da defesa canhestra do autoritarismo neofascista.

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