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O “homão da porra” – A tautologia do ministro

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“… Eu vejo um museu de grandes novidades”. (Cazuza)

Por Flavio de Souza Lima*

    Em meados do ano que passou, a expressão “homão da porra” virou meme. Personificada no ator Rodrigo Hilbert por sua polivalência. De acordo com o dicionário informal, ela é usada para se referir ao homem capaz de atos admiráveis, corajosos. Exemplo: QUE HOMÃO DA PORRA, DEFENDEU A FAMÍLIA DOS ASSALTANTES. Em Rodrigo, a alcunha grudou. Não fora ele um duble de ator, apresentador, cozinheiro, marceneiro, ferreiro, carpinteiro, costureiro, galã, dono de casa, marido e pai exemplar.

     A biografia do Ministro da Defesa Raul Jungmann, fornecida por seu partido o PPS -http://www.pps.org.br/ (antigo PCB), perpetra uma trajetória diversa. Secretário de Planejamento (PE), Secretário do Ministério do Orçamento e Gestão (Gov. Itamar, 1993-1994), Presidente do IBAMA, Ministro de Política Fundiária, Presidente do INCRA e Ministro do desenvolvimento Agrário (Gov. de FHC, 1995-2002) integrou o conselho de importantes estatais indicado por políticos. Destacando-se o cargo de Conselheiro da LIGHT/CEMIG, (“luxuosa” indicação de Aécio Neves). E em São Paulo, Conselheiro da Companhia de Engenharia de Tráfego e da PRODAM, pelas mãos do ex-alcaide paulistano Gilberto Kassab. No legislativo, foi Deputado Federal (atualmente é suplente), e eleito vereador no Recife (2012).

     A junção de termos gregos redundou na fusão latina, tautologia. Tautó quer dizer “o mesmo” e logos significa “assunto”, portanto, de acordo com o dicionário informal, tautologia é dizer sempre a mesma coisa em termos diferentes (redundância).  Pois bem, mesmo experimentado, o Ministro da defesa escorregou na retórica, proferindo declarações redundantes nos últimos dias de 2017.

     Em entrevista ao portal UOL, Jungmann disparou: “O sistema penitenciário não está nas mãos do Estado Brasileiro e sim nas mãos das grandes quadrilhas. É o home Office dos grandes criminosos, que comandam de suas celas ações criminosas no país e no exterior”. Outra: “O Brasil talvez seja o único país do em que as grandes quadrilhas foram criadas dentro do sistema penitenciário. O sistema é a maternidade, o berçário dessas grandes quadrilhas”. Mais uma constatação surpreendente: “Os dados indicam que há um acordo tácito entre funcionários do sistema prisional e o crime organizado”. Nossa! E, por último: “Os comandantes destas quadrilhas, apesar de estarem há décadas em presídios federais, permanecem no comando, pois o fluxo de informações ainda não foi interrompido. E isso se dá nas visitas íntimas, nas visitas de amigos e parentes e, infelizmente, nas visitas de advogados”.

     Bem, que existe acordo entre funcionários e o crime não é informação fresca. Até o filme de maior bilheteria de todos os tempos no Brasil, TROPA DE ELITE 2, explicita. Na cena em BANGU 1, primeiro presídio de segurança máxima do Brasil, o agente penitenciário “Curió”, entrega as armas ao bandido “Beirada”, que dá início à matança de grupos rivais. Sobre o “ovo da serpente” ter sido chocado dentro dos presídios, Jungmann que não se esqueça. A principal facção criminosa da América Latina foi concebida e gerada dentro dos presídios paulistas, sob as barbas do partido que comanda SP há mais de 20 anos (PSDB), e que tem como “correia de transmissão”, o partido do qual ele é integrante e fundador (PPS). Portanto, nem uma nova nas declarações. São como subir para cima, elo de ligação, fato real, surpresa inesperada, escolha opcional…ou outros pleonasmos. Apenas repete como novidade o que todo mundo já sabia.

     A noite de ano novo foi marcada por um ato heróico. Jungmann pediu emprestada a capa de “Homão da Porra” de Hilbert e voou para Natal, onde os PMS sem receber salários estavam aquartelados. Ali, foi instalado uma espécie de gabinete de crise contando com a guarda nacional. Passou a virada com quem quis trabalhar e fez questão de declarar que eles eram sua família. No dia 2, já tinha dados “animadores” da diminuição do número de mortos no Estado. Rodrigo que se cuide. É isso.

*Flávio de Souza Lima é professor da rede pública em São Paulo.

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3 respostas »

  1. Parabéns Flávio.
    O povo precisa se vestir com a capa de ” Homao da Porra”.
    Nao basta um só homem. Que Jungmann sirva de exemplo para muitos.
    E que vc continue abrindo os olhos de todos.

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