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No Dia Internacional da Mulher, um cordel para Dandara Dos Palmares

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Zezé Mota interpretou Dandara no filme “Quilombo”

Dandara dos Palmares

Por Jetro Fagundes*

Lá pelo século dezessete
Sertão da região Nordeste
Não viu mera agitação
Viu mais que um movimento
Muito mais que agitamento
Vivenciou revolução

Nordeste, sertão alagoano
Muitos filhos de africanos
Passaram a se refugiar
Em um dos serranos lugares
Também chamado de Palmares
Não se deixaram escravizar

Sobre Palmares, movimento
O mais lindo dos documentos
Que é a ORAL TRADUÇÃO
Fala de luta, persistência
De um século de resistência
O primórdio da abolição

Palmares se tornou a vida
Verdadeira terra prometida
Aos anjos da escravidão
Entre a negritude valente
Uma linda afrodescendente
Foi marcante, na ocasião

Tradução diz que Dandara
Uma Rosa Negra, jóia rara
Não era só de cozinhar
Além de exercer liderança
Nos sonhos e na esperança
Ela sabia muito bem lutar

Dandara foi protagonista
Da real luta abolicionista
Segundo a Tradução Oral
Esta guerrilheira ativista
Era belíssíma capoeirista
Uma lutadora literal

Dandara que tão bem lutava
Saibam também, participava
Dos projetos, elaborações
Pois esta negra capoeirista
Era uma exímia estrategista
Muito ajudava nas decisões

No Quilombo dos Palmares
Dandara com seus encantares
Também sabia atuar
Nas mais variadas culturas
Das pescarias à agricultura
E tinha carisma popular

Sobre Dandara da policultura
Da negritude, das bravura
De Ana Batista eu ouvi:
Foi flor brilhante e atuante
Esposa, companheira amante
Do grande lendário Zumbi

De Ana Batista, a marajoara
Eu ouvi que a linda Dandara
Vive nos dias atuais
Nas negras cheias de graças
Que nas ruas, lares e praças
Atuam nos Movimentos Sociais

Hoje ela, com seus encantos
É negra parteira mãe de santo
Que sabe se contrapor
A intolerantes religiosos
E hipócritas preconceituosos
Que odeiam a negra cor

Dandara negra guerrilheira
Hoje até com uma baladeira
Nunquinha daria trégua, não
Aos mais sórdidos idiotas
Os que são contra as cotas
Rasgadores da Constituição

Viva Dandara, a palmerina
A afrodescendente heroína
Do mais libertário arraial
Viva a negra dos quilombolas
Que ginga, joga, cantarola
Tudo ao som dum Berimbau

*Jetro Fagundes
Farinheiro do Marajó e de Ananin

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