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Palavras de conforto a um coração em paz, por Pedro Tierra

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Por Pedro Tierra*

Que minha palavra envolva teu coração.

E recolha no barro dos potes maternos,

repousados na sombra das cozinhas de Caetés,

– que na infância saciaram tua sede

e nutriram tuas esperanças –

os rios da ternura que hoje,

2 de fevereiro, pelas mãos de Iemanjá,

banham os olhos de tua gente.

Que minha palavra seja aquele bálsamo

recolhido nos antigos paióis,

onde guardamos os sonhos

que nos movem na vida

para reparti-los como se reparte pão e bandeiras.

A solidão que sitia

teu vasto coração de continente

e arma o assalto final,

não suspeita as cordas de água pura

atadas aos rios de força e sonhos

que te mantêm de pé,

“contra vento e maré…”

Baixa os olhos sobre estas mãos

que um dia costuraram a estrela branca

sobre campo vermelho

como quem captura a luz dos olhos da multidão

movida por tua voz de madrugada

no portão da fábrica.

E se despediu do medo e do silêncio.

E cavalgou ventos e tempestades.

E quando a Noite – um dia – o levou a ferros

aprendeu que em tempos de tirania,

a ferocidade se dobra

com a invencível fragilidade das mães,

quando ocupam as ruas da cidade mítica,

contra a muralha dos homens de cinza.

E o acolheu no abraço do regresso

quando você, sendo o mesmo,

já era outro homem

  • sem o amparo da luz tutelar de Dona Lindu –

se convertera num homem multidão.

Aqui repousa o corpo disseminado

de uma mulher do povo que vai

cumprir a condenação da semente:

prolongar a vida, multiplicar a vida,

sob os olhos dos peões de fábrica.

Sob teus olhos.

Dentro da Casa que os acolheu

para iniciar a marcha.

Assim estendida

como uma bandeira de paz,

diz, aos teus ouvidos,

com seu silêncio definitivo:

“Agora eu sou uma estrela”.   

 

Daqui de longe ouço um

dobre de sinos por Mariza Letícia

velada por peões,

dentro da Casa dos Metalúrgicos, seu lugar.

Para que não se torne um hábito no país,

não permita, diante do féretro,

as flores enviadas pelos assassinos.

Nesta manhã de cinzas, quero apenas

que minha palavra envolva teu coração.

Brasília, 2 de fevereiro de 2017.

*Pedro Tierra, pseudônimo de Hamilton Pereira, é poeta, ex-preso político, fundador do PT, do MST e da CUT.

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2 respostas »

  1. Tive o prazer de ler um lindo poema, escrito com tanto amor, creio que D.Marisa e Lula são merecedores de todo o nosso carinho, confiança e respeito. Que ela esteja em uma das moradas do Pai, como Jesus Cristo nos prometeu. E que o Espírito Santo conforte o coração de todos os familiares, amigos e tantos que os amam. Nunca senti medo de expressar o que penso ou sinto, motivo pelo qual muitas vezes fui mal interpretada.
    Alguém que tem coragem de renunciar a tudo por Cristo, acabará encontrando tudo em Cristo. Marina Buarque

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  2. adeus d. Marisa. meu coração petista, meu amor pelos pobres e oprimidos hoje está de luto. pessoas como a senhora só me deixa mais orgulhoso de ter participado muito da luta pelo povo escorraçado pelas elites. tenha só uma certeza ‘a luta continua”

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