França

Suicídios em massa na França

Nota do QTMD?: Agradeço à amiga Paula pela excelente sugestão de pauta. Como ela bem definiu, “é de apavorar até o último fio de cabelo”. Uma certeza eu tenho: é o capitalismo, estúpido! Mas o tema merece o devido aprofundamento sociológico. Por isso, vou recorrer a Émile Durkheim e Zigmunt Bauman, dentre outros, e volto a isso em breve. Por agora, introduzo aqui esse assunto seríssimo, sobre o qual pouco (ou nada) vejo nossa mídia falar. Confira a seguinte matéria, de um portal português, e outros links.

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Funcionário da France Télécom imola-se pelo fogo

Um trabalhador do grupo France Télécom auto-imolou-se hoje em Bordéus (sudeste), o mais recente acto de desespero que volta a questionar os métodos de gestão da empresa marcada por cerca de 60 suicídios desde 2008.

“Estamos consternados com a notícia da morte de um assalariado (…) que pôs termo à vida ao imolar-se esta manhã no parque de estacionamento da agência de Márignac” (arredores de Bordéus), referiu em comunicado a direção do gigante francês de telecomunicações.

“Os serviços de emergência que chegaram ao local apenas puderam confirmar a morte deste funcionário com a idade de 57 anos”, acrescenta o texto.

De acordo com um responsável sindical, o pai de quatro filhos, funcionário da France Télécom há mais de 30 anos e considerado um “profissional muito reconhecido”, estava a ser forçado a mudar frequentemente de local de trabalho.

“Esta mobilidade imposta forçou-o a vender a sua casa. Escreveu por diversas vezes à sua direcção e não terá obtido resposta, como sucede em muitos outros casos”, disse à agência France Presse o líder sindical François Deschamps, do sindicato CFE-CGC-Unsa.

“O método empregue é de uma violência inaudita. Imolar-se pelo fogo não é um acto anódino”, sublinhou.

Na perspetiva de diversos dirigentes sindicais, está-se perante a última vítima de um sistema de gestão de pessoal que pretende tornar a France Télécom num dos gigantes mundiais da internet e das comunicações móveis.

O sindicalista Sébastien Crozier considerou que esta última vítima “fazia parte das pessoas que foram vergadas pelo período Lombard”, o nome do antigo director-geral Didier Lombard.

Designado presidente em 2005, Didier Lombard cedeu em Março de 2010 a direção da empresa a Stéphane Richard, próximo do ministro da Economia Christine Lagarde. O novo patrão foi incumbido da missão imediata de pôr termo à vaga de suicídios.

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