Direitos Humanos

Poesia Social: Poema Manifesto (homenagem às crianças mortas em Realengo)

 

Escrevi esse poema em 2005, por ocasião do famigerado “Referendo das armas de fogo”. Eu nunca o havia publicado em lado algum. Desengaveto-o agora, porque o inominável episódio do massacre de hoje me fez lembrar dele.

Manifesto

Não quero a ditadura
Das coisas fajutas
Quero a agrura
Das lutas!

Lutas por um ideal
Justo e desarmado
Arma de fogo é fatal
E não é do meu agrado

Quero transformar sem destruir
Matar não pode ser direito
Armas de fogo só podem garantir
Um mundo doente e desfeito

Não é porque é usada pelo ladrão
Que eu também preciso usar
Seria como ver muito lixo no chão
E, só por isso, continuar a sujar…

Nessa sujeira não vou me meter
Nada garante que meu revólver de aço
Vá de um criminoso me defender
Mesmo armada não o ameaço!

Bandidos não têm o que perder
“Mãos ao alto! Não dê mais um passo!”
Paro, não tenho o direito de morrer…

18 de Outubro de 2005,
Ana Helena Ribeiro Tavares

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