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Seguranças da Uerj são acusados de omissão de socorro a cidadãos

Por Ana Helena Tavares

Enchentes têm sido freqüentes no rio Maracanã, zona norte do Rio de Janeiro. O que não é freqüente – e causa estranheza – é a falta de solidariedade num povo como o carioca, mundialmente conhecido pelo jeito alegre e acolhedor.

Perto das 21h do dia 11 de Novembro de 2009, chovia intensamente no bairro do Maracanã e, devido à cheia do rio, muitas ruas encontravam-se alagadas. Era o caso da Rua Radialista Valdir Amaral, em frente a um dos portões da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). De acordo com o que denunciou o biólogo Alberto Nunes, naquele momento, alguns seguranças da universidade fugiram à regra da boa cordialidade carioca, ao serem negligentes com o sofrimento alheio.
Alberto contou que estava em seu carro e que este estava sendo arrastado pela força das águas.

– A água subiu muito rápido inundando o veículo, tornando necessária a nossa saída pelas janelas laterais. Uma vez fora do carro fomos socorridos por populares que estavam no local, que ajudaram a arrastar o carro para o referido portão da Uerj, para que este não fosse em direção ao canal do Maracanã. Neste momento, pedimos socorro aos seguranças da “Dinâmica Segurança Patrimonial”, que estavam na guarita interna ao portão, sendo isto negado sob a justificativa de que não havia ordens para abrir o mesmo. A chuva continuava muito forte e o volume de água aumentava, deixando as pessoas que estavam do lado de fora dos portões da Uerj vulneráveis e assustadas. Movidos pelo risco da situação insistimos em sermos atendidos na solicitação de abertura do portão, para sermos socorridos da calamidade pública em andamento. Entretanto, os seguranças tanto da “Dinâmica Segurança Patrimonial”, quanto da “COSEG” (segurança interna institucional) continuaram a omitir socorro. Naquele momento, não corríamos risco de afogamento, mas não poderíamos prever se a água iria continuar subindo. Então, estávamos numa situação de perigo, devido à correnteza, e não custaria nada àqueles seguranças permitir que nos abrigássemos em local seguro. Neste instante, um caminhão que também estava do lado de fora do muro foi autorizado a entrar, mas continuamos a ser impedidos de entrar na instituição com nosso veículo. – acusou ele.

Além da acusação de omissão de socorro, Alberto disse também que, ao insistir em ser acolhido junto a seu veículo e aos outros ocupantes, foi vítima da truculência de um dos seguranças da COSEG, chamado Genivaldo, que teria vociferado irritadamente palavras insultuosas reforçando o bloqueio à assistência pedida naquele caso. Alberto definiu o que presenciou como “um exercício irresponsável de poder” por parte do segurança e disse que, com medo, sua esposa, Raquel, adentrou a pé pelas dependências da Uerj, pedindo aos funcionários, alunos e professores, que se encontravam no hall, que a socorressem diante do que se passava.

– Minha esposa foi atendida por uma segurança da COSEG, chamada Andréia, e um Prof. da Instituição, chamado Carlos, que a acompanharam até o portão BV 04 e ordenaram a autorização de socorro naquela situação de risco e constrangimento sofrido por mim, por ela e meninos de rua que nos ajudavam naquele momento. Neste contexto, a funcionária Andréia, que nos socorreu, foi pressionada por seus colegas de trabalho por ter prestado aquele socorro, através da justificativa de que, tanto nós como ela, estávamos praticando desacato à autoridade. A mesma, entretanto, não voltou atrás nas suas decisões. Foi aberto um processo administrativo junto a Uerj, ainda na madrugada do dia 12/11/09, sendo que no decorrer da manhã fomos procurar a reitoria da Uerj para denunciar a omissão de socorro de alguns de seus funcionários, como também a atitude digna e solidária da funcionária Andréia, que exigiu a abertura do portão e nos tirou daquela situação de negligência. – contou Alberto.

Segundo Alberto, além de não ter sido possível ser atendido pelo reitor, o assessor da reitoria teria lhe dito que “o reitor não atende a qualquer um”. A assessoria solicitou que a reclamação fosse feita por e-mail de modo a que a instituição pudesse verificar o que havia acontecido. Impedido de falar pessoalmente com as autoridades da universidade, a solução encontrada por Alberto foi protocolar na reitoria uma cópia de um Boletim de Ocorrência (BO), que ele registrou junto à 18ª Delegacia de Polícia da Cidade do Rio de Janeiro.

– Pretendo processar a instituição por omissão de socorro, mas quero esclarecer que não se trata de uma situação de reparação de dano material, mas essencialmente de negligência por uma instituição pública estadual com seus cidadãos. Vivemos num país de omissões e impunidades, entretanto, na qualidade de cidadãos, feridos em nossos direitos de segurança e respeito, temos a obrigação de cobrar respeito e dignidade com a vida humana, e não podemos ficar calados frente a uma situação desta. Ficar calados é legitimar injustiças e não queremos estar no lugar de vítimas caladas, acuadas e omissas com injustiças praticadas cotidianamente. Queremos reconhecimento do erro institucional e que este fato sirva de lição para que não se repita. – disse ele indignado.

A Uerj disse que investigará o caso.

08 de Dezembro de 2009,
Ana Helena Tavares

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