Crônicas

Será que todas as bruxas gostam de praia?

Por que será que a mídia tem tanta dificuldade em dar voz aos otimistas?

Por Ana Helena Tavares (publicado também na minha coluna na Revista Médio Paraíba)

Dizem que não há “fumaça sem fogo”. De fato não há. A violência no Rio existe e é grande. O problema é que o fumo que é feito é bem maior do que a fogueira que de fato existe.

O Rio de Janeiro é uma cidade mundialmente visada, por isso a imprensa mundial vira demais os olhos pra cá. Às vezes, penso que é inveja de certos jornalistas estrangeiros e até de brasileiros de outros estados, sinceramente. Afinal, nós somos mundialmente conhecidos não só pela beleza, daí a cidade maravilhosa, mas agora também recentemente a revista americana Forbes nos colocou como “a cidade que tem o povo mais feliz do mundo” e, para aumentar o frisson, o canal internacional de TV MTV tratou de nos colocar como “o melhor destino gay do mundo” (olha que os gays são exigentes). Além de tudo, ainda ganhamos as Olimpíadas.

A conseqüência disso é clara: o mundo volta os olhos para nós e, muitas vezes, esquece-se de olhar o próprio umbigo. Há muita violência também em outras grandes cidades brasileiras e no mundo que quase não se fala ou, quando se fala, se fala pouco. Quando é aqui, já chamam de guerra.

Muitos dos que moram em locais considerados perigosíssimos não parecem, porém, ver a situação com esses olhos. Já andei entrevistando jovens do Morro dos Macacos e eles dizem que acham um absurdo a cobertura da imprensa, a qual é chamada de “exagerada” por todas as cinco pessoas que ouvi. Curioso observar que a própria imprensa carioca também contribui para isto.

Por que será que a opinião de jovens como estes raramente é mostrada? Por que será que a mídia tem tanta dificuldade em dar voz aos otimistas? Ou talvez a pergunta seja: por que será que a sociedade prefere ouvir os pessimistas, já que continuam alimentando todo tipo de manchete/tragédia? Será inerente ao ser humano, como apontam certos estudiosos, e será a mídia tão somente um reflexo disso?

As bruxas existem, e até são feias (ainda mais numa sexta-feira 13, diriam alguns), mas não são tão monstruosas como se pinta nos jornais. E nem todas elas gostam de praia.

13 de Novembro de 2009,
Ana Helena Tavares

Categorias:Crônicas, Os dias lindos*

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