Jornalista é contador de Histórias!

Sobre a sabatina da Folha de S. Paulo com seu Ombudsman

Entre importantes erros assumidos, uma grande ausência e uma comparação que só pode ser piada

Por Ana Helena Tavares

A Folha de S. Paulo, para marcar os 20 anos da criação de seu cargo de Ombudsman, aquele cargo que serve para o jornal tentar passar a idéia de que há lá dentro uma democracia que não há, promoveu ontem, 21 de Setembro de 2009, uma sabatina com seu atual Ombudsman, Carlos Eduardo Lins da Silva, que resiste bravamente há 18 meses no cargo. Não, ele não é dos piores, muito longe disso. Quem conhece toda a dificuldade e a pressão do seu cargo, sabe que faz um trabalho digno de respeito.

Um dos importantes erros da Folha que ele corajosamente assumiu desde o início, refere-se ao lastimável episódio da ficha falsa de Dilma, a que ontem ele se referiu exatamente com essas palavras:

No caso do dossiê da Ministra Dilma Roussef, fiz sugestões muito concretas. Foi um caso polêmico, muito controvertido e nenhuma delas foi atendida. Foi a situação da reprodução de uma suposta ficha da ministra Dilma do período em que ela era militante de um movimento revolucionário no regime militar. Essa foto foi publicada em primeira página da Folha como se fosse verdadeira. Depois a Folha disse que não tinha como provar que era verdadeira, mas também não tinha como provar que era falsa. Na minha opinião, é um dos dois erros mais graves que a Folha cometeu ao longo destes 18 meses”.

O outro erro a que ele se refere certamente também foi grave, mas este não foi só dos Frias, foi dos Mesquita, dos Marinhos e de outros. Sedentos por plantar o terror na velha ânsia de vender mais e mais. Pois é, infelizmente o terror vende. E o erro em questão foi a fatídica gripe suína. Ontem, assim Carlos Eduardo Lins da Silva se referiu à cobertura da Folha sobre o assunto:

Há exatamente dois meses a Folha, em chamada de 1ª página, disse: Em dois meses, trinta e tanto milhões de brasileiros devem estar infectados e 4,4 milhões devem estar internados. Isso baseado em um modelo matemático que não era alimentado por dados a respeito desta gripe, mas sim de outras gripes do passado. Esse acho que foi o erro mais grave que a Folha cometeu nesse meu período como Ombusdman”.

Parabéns ao Ombusdman pelos importantes erros apontados, mas e a “Ditabranda”? Pergunto eu… Por que ela ficou de fora de tão nobre evento? A sabatina foi enorme, as perguntas foram inúmeras e por que os nobres entrevistadores (Marcelo Coelho, Eleonora Gosman, Verônica Goyzueta e Eugênio Bucci) não colocaram a “Ditabranda” em pauta ou por que o entrevistado não tratou de lembrá-los? Esquecimento, concordância ou submissão?

Bem, mas como é véspera de ano eleitoral, nada mais oportuno do que comparar a cobertura dada pela Folha ao governo FHC com a dada ao governo Lula. E aí… Lins da Silva produziu uma pérola:

Muitos leitores acham que a Folha foi mais condescendente com o governo FHC do que com o governo Lula. Essa é uma resposta que só pode ser dada por meio de um trabalho acadêmico, científico, metodologicamente e comprovadamente constatado. Fica-se muito no terreno das impressões… Na minha impressão, a Folha era muito dura com o presidente Fernando Henrique também.”

Prefiro acreditar que essa foi pra descontrair o ambiente, só pode…

Ana Helena Tavares

Obs: Matéria escrita originalmente para o blog “Quem tem medo do Lula?

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