Contando Histórias

Sábado de Aleluia

-> Para o meu amigo Anderson de Souza, que adora me dizer: “Tá vendo aquele assunto ali? Mete a caneta, menina!!! Cria polêmica!!!”

Um povoado pobre da Baviera alemã, uma família sem ambições. Era Sábado de Aleluia, quando nasceu o menino. Na Páscoa foi batizado.

A mãe era uma bela cozinheira de vastos olhos claros, o pai um comissário de polícia do Reich. E aquele abençoado menino tinha também um priminho, que sofria de síndrome de down e foi morto aos quartoze anos pelo regime nazista.

Aqueles pais muito lutaram para, em tempos de fome, prover estudo ao menino e à sua irmã mais velha, Maria. Aquele pai muito lutou para, em tempos de guerra, ensinar aos filhos que o nazismo só trazia sangue.

Ainda assim, o menino, já jovem, ao invés de lutar contra aquele regime assassino que havia matado seu primo, alistou-se num movimento hitleriano. Foi compulsório?

Talvez esteja aí a mostra de todo o senso de justiça que o permitiu se tornar padre. A importância de pronunciar constantemente a palavra perdão também deve vir de lá.

Uma praça nobre no coração de Roma, muitas famílias, muita esperança. É Sábado de Aleluia. Na Páscoa, o menino estará na sacada.

13 de Maio de 2009,

Ana Helena Tavares

Obs. importante: Este é um conto de não-ficção. Todos os personagens são reais e todas as informações sobre a história de vida deles constam em registros biográficos.

Sábado de Aleluia no Recanto das Letras

3 respostas »

  1. A religião infelizmente foi feita pelo homem para o mesmo, seja ela qual for.
    Tudo o que não se consegue explicar cientificamente vira mito.

    Todas as entidades religiosas são mitos, cabe a cada um acreditar no que quiser.

    Que a Igreja católica esconde grandes segredos embaixo das saias dos sacerdotes não é mistério, mas essa de um Papa nazista é chocante. Mesmo tendo sido obrigado ou não, não se sabe as barbaridades que ele deve ter cometido. Afinal, Deus perdoa! Eu cometo tantas falhas, por que o Papa que é igualzinho a mim, não poderia cometer??

    Abaixo a Hipocrisia religiosa.

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  2. Boa cronica baseado em alguns fatos. O problema é que foram omitidos alguns outros fatos que, sem eles a historia tende a ir pro lado errado:

    1- Joseph Alois Ratzinger não “alistou-se num movimento hitleriano” mas foi alistado no Hitler-Jugend (grupo conhecido na Europa como “The Hitler Youth” ou HJ). Em 1936, Hitler unificou as organizações de jovens e anunciou que todos os jovens alemães deveriam se alistar nos Jungvolk (Povo Jovem) aos 10 anos, quando poderiam ser treinados em atividades extracurriculares, que incluíam a prática de esportes e acampamentos, além de uma doutrinação ao nazismo. Aos 14 anos, os jovens TINHAM que entrar na Juventude Hitlerista, sujeitando-se a uma disciplina semi militar, bem como a atividades externas e à propaganda nazista.

    2- Até 1939 nenhum seminarista havia entrado na organização, mas o regime exigiu que a partir de março a afiliação fosse obrigatória. Até outubro a direção do seminário em que estava se negou a inscrever os seus alunos mas logo não pode mais impedir a sua inscrição na organização. Assim sucedeu também com Jospeh Ratzinger, aos 14 anos. Uma testemunha relata (segundo o Frankfurter Allgemeine Zeitung) que os seminaristas eram uma “provocação para os nazis: se lhes considerava suspeitos de estar contra o regime.

    3- Ratzinger não era um membro entusiasta do HJ. Tanto que alguns anos depois ele desertaria depois de ter sido preso num campo de concentração.

    4- Ratzinger não foi o primeiro (e nem será o ultimo) a trocar a frente inimiga pelo cristianismo. Não se pode esquecer de Saulo de Tarso que, era fariseu – seita ortodoxa que pregava a extinção violenta de todos os cristãos – treinado pelo grande mestre judeu Gamalieu, chegou a estar presente na morte do primeiro martir do cristianismo – Estevão. Foi um dos maiores perseguidores da igreja cristã, mas após um encontro com o Senhor Jesus Cristo se tornou o apostolo conhecido hoje como São Paulo – senão for o maior, com certeza o mais conhecido teólogo cristão.

    5- Bento XVI irrita muita gente liberal principalmente por manter a linha dura da doutrina catolica. Esse tipo de “linha dura” com relação as suas doutrinas é que faz com que o cristianismo, ou o judaismo, ou até mesmo o islamismo serem conservados por séculos. De outra forma haveria tanto desvio ideologico que, hoje em dia, não saberiamos nem quem foi Jesus, ou Moises, ou mesmo Maomé. Deve haver sempre um catalisador de ideias que corrige e retorna a visão geral ao rumo inicial.

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