Crônicas

Recado de primavera

Publico hoje aqui um texto em formato de carta. Um texto ingênuo e profundamente despretensioso, afinal vai fazer 10 anos e foi escrito quando eu tinha apenas 13 anos. No entanto,  foi com este texto que ganhei meu primeiro concurso literário (ainda nos bancos escolares do meu querido CPII) e pode-se dizer que esta foi minha primeira crônica, tendo sido assim o marco inicial de toda uma história… E só por isso já deveria ter merecido espaço aqui há mais tempo… Trata-se de uma paródia a um texto homônimo de Zuenir Ventura (que naquela época ainda escrevia pro Jornal do Brasil). Algum tempo depois de escrevê-lo, cheguei a entrar de fato em contato com Zuenir, que respondeu parabenizando-me e terminou dizendo: “Espero que você continue fazendo seus exercícios de estilo”. Um dia ainda terei oportunidade de dizer pessoalmente a ele que, não só continuei, como é àquelas palavras que se deve o nome deste blog. Segue então o texto…

Vou continuar vigiando as ruas, os pássaros e os rapazes em flor

Meu caro Zuenir Ventura,

Escrevo-lhe aqui do Andaraí para lhe dar uma notícia grave: a primavera chegou. Ao ler “Recado de primavera”, que você escreveu ao cronista Rubem Braga, resolvi mandar-lhe uma carta parecida.

Sempre que posso leio suas crônicas no Jornal do Brasil, pois as acho muito criativas. Infelizmente, ainda não tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, mas espero que isso brevemente aconteça.

Pouca coisa mudou, cronista, nesses dois anos. As “violências primaveris” de que Rubem Braga falava na carta a Vinícius de Moraes, continuam sendo “violências mesmo”, só que, às vezes, são até piores.

Esse ano a primavera está um tanto estranha. Para se ter uma idéia, ao invés de tempo quente e estável, ultimamente tem estado frio e ocorrido muitas chuvas inesperadas. Dizem que é culpa de um tal fenômeno chamado “La Niña”.

O tempo vai passando, cronista. Chega a primavera nesse Rio de Janeiro, que apesar de tudo, continua a “Cidade Maravilhosa”, narrada em prosa e verso por tantos poetas, músicos e escritores como você.

Eu ainda vou ficando por aqui a vigiar, em nome de todos aqueles que já se foram, as ruas, os pássaros e os rapazes em flor. E estudando, como todo jovem, para um dia ser alguém. Até breve!

Ana Helena Ribeiro Tavares
Setembro de 1998.

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