Todos os poemas

O raro ensejo da hora

Foto: Ana Helena Tavares

– Para o meu amigo Sérgio Grigoletto, que há muitos anos insiste em me chamar de poeta.

Morte: ausência de vida?
É certo que não só…
Dentro da própria vida
Também se pode virar pó!
Virar pó, morrer vivendo –
Andar vivo sem viver –
Dar um nó nas leis do tempo,
Ser nocivo ao próprio ser.

Deixar nuas, a cair,
As vestes do agora.
Cruzar ruas a fugir
Àquele beijo que aflora.
Em suas mãos ver sumir
O raro ensejo da hora.
Passar luas sem sorrir
Ao lampejo da aurora.

E só quando vestir novamente
O que despiu por vergonha
Aquele agir no presente
E com que hoje só sonha
Fará surgir realmente
Uma manhã mais risonha.

14 de Junho de 2008,
Ana Helena Ribeiro Tavares

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1 reply »

  1. Hoje com certeza minha manhã será mais risonha. É acho que você encontrou mais alguém pra puxar “seu saco”. Rsrs…
    Bjs…Mil…e uma manhã risonha!

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