O mar – água que vai, vida que dura

Foto: Ana Helena Tavares

Água que volta, água que bate

Pegadas desconhecidas na areia
O mar as apaga… Eterno empate!
Lá vem novas pegadas em cadeia.

Vida que vai, vida que traz
Rostos dispersos na multidão
O tempo os mistura… E faz mais!
Deixa as marcas de uma lição.

Um grupo seria igual
Sem um de seus integrantes?
O mar se manteria original
Sem uma gota que estava lá antes?

Água que vai, vida que dura
Gotas que já não são mais do mar…
Rostos dispostos numa moldura
Vida que segue seu renovar.

Livremente inspirado numa aula de sociologia… Eterno empate!

Ana Helena Ribeiro Tavares
21 de junho de 2008

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O raro ensejo da hora

Foto: Ana Helena Tavares

– Para o meu amigo Sérgio Grigoletto, que há muitos anos insiste em me chamar de poeta.

Morte: ausência de vida?
É certo que não só…
Dentro da própria vida
Também se pode virar pó!
Virar pó, morrer vivendo –
Andar vivo sem viver –
Dar um nó nas leis do tempo,
Ser nocivo ao próprio ser.

Deixar nuas, a cair,
As vestes do agora.
Cruzar ruas a fugir
Àquele beijo que aflora.
Em suas mãos ver sumir
O raro ensejo da hora.
Passar luas sem sorrir
Ao lampejo da aurora.

E só quando vestir novamente
O que despiu por vergonha
Aquele agir no presente
E com que hoje só sonha
Fará surgir realmente
Uma manhã mais risonha.

14 de Junho de 2008,
Ana Helena Ribeiro Tavares

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