Negócios negócios, paz à parte

Para minha amiga Bete Trotte, que “se mudou para Gaza”.

Faz-se noite por onde passaram os filisteus
Faz-se noite sobre a sombra do belicismo
daqueles pra quem a paz não interessa
Faz-se noite e a manhã não começa
Escureceram o sol, já não ouvem Deus
aprisionaram sua voz num abismo

Faz-se noite sobre um mundo de sofás atentos
Assisti-se ao sangue derramado pelo vil metal
Negócios negócios, paz à parte
Em que parte? Pra que olhos? Não é um filme?
Mas os olhos das mães de Gaza choram
Lágrimas lágrimas, ficção à parte

Não sei como os generais do Estado sorriem
depois de tantos cogumelos nocivos à humanidade
cravando de mortes a terra onde Cristo escolheu viver
impedindo o broto de chegar à mocidade
fazendo vidas valerem menos que poder
e tapando o sol com balas de canhão

Contam com a inércia de um mundo doente
Ouvi dizer por esse meu Brasil:
“Não sou judeu nem mulçumano. Pra que me preocupar?”
Faz-se noite nessa mente senil
que só com a morte frente à frente
verá que na palestina todos vão parar

Ana Helena Tavares
15/01/09

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Coisas impossíveis

– Para o meu amigo Marcelo Nogueira, que se já não bastasse ser ele próprio um verdadeiro carnaval fora de época ainda insiste em dizer que já viu alguém dançando freneticamente o fado… : )

Tocar saxofone em Marte
O mundo sem arte

Bandeiras paradas na ventania
Morcego morder de dia

Uma cobra andar de lado
Dançar freneticamente o fado

Correr numa bicicleta a 300 por hora
Chupar cana comendo amora

Passear livre e solto pela parede
Ficar dois dias sem água e sem ter sede

Construir um país em dois meses
A humanidade sem interesses

O bem trapaceando o mal
Pepinos formando um grupo social

Líder sem seguidor
Sacrifício indolor

Lágrima que brota colorida
Uma guerra mundial ser vencida

Paz com muro
O sol raiar escuro

Uma vida assim, assim
Banqueiro sem din-din

Venda sem produto
Palmeira dar fruto

Saci sem cachimbo
Fim-de-semana sem domingo

Beta sem alfa antes
Quixote sem Cervantes

Julieta sem Romeu
Um padre ateu

O céu virar chão
Homem sem coração

Sangue azul
Estar no norte e no sul

Jornal sem notícia
Verdade fictícia

Bebê que fale ao nascer
Sem versos um poeta viver

A Terra sem o mar
A poesia acabar…
Ana Helena Ribeiro Tavares,

14/07/08

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