A jaqueira da Bolívar

Ana Helena Tavares
Foto: Ana Helena Tavares

A jaqueira da Bolívar

Por Ana Helena Tavares

Tantos passos açodados

E lá está ela majestosa:

Galhos fortes, entrelaçados

A uma orquídea bem cheirosa.

Passos não cheiram, são arredios,

Mas lá está ela admirável:

Aos olhares menos esguios,

À vida mais saudável.

À sua rua um revolucionário

Deu seu nome e esplendor.

Merecia outro cenário,

Merecia mais calor.

Com a Barata faz esquina

Mas só a vê quem vem de longe

Será isso alguma sina?

Nem o hábito faz o monge…

Com saudades de outra Copa

– Aquela em que nasceu –

A jaqueira se faz de morta

Depois de tanto o que viveu.

Depois de tanto o que já viu,

– Viu bem mais do que foi vista –

Dá pra imaginar o que já sentiu?!

Nem chamando um analista…

8 de Novembro de 2010,

Ana Helena Tavares

Também no “Recanto das Letras

Anoitecer, uma mesa de pedra envolta de verde, papel e caneta…

– Para o meu irmão, Daniel. Homem de coração livre como as folhas que voam em uma floresta.

Floresta em coração urbano
O verde frescor a te envolver
É festa! A natureza toca piano…
Com o ardor da cachoeira a descer

O sol ilumina as nuvens em seu passeio
Os namorados riem das folhas a cair
E nessas horas se entende esse mundo a que veio
Ele diz: vivam! Não se furtem a existir

E as folhas do chão?
Quanto nos tem a ensinar…
Chamá-las de mortas?! Não!
Já viram o arco-íris que estão a formar?

Sim, quantos as pisam e não vêem suas cores?
Nem dá tempo de olhar pra baixo, tanta pressa…
Mas aquelas folhas que já viram cair tantos amores
Sabem que a vida sempre recomeça.

Ana Helena Tavares

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