Lua

-“Diálogo” com Fernando Pessoa – 2ª parte

“A lua (dizem os ingleses),
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma idéia se perde.”

Afinal, numa noite luminosa
Essa lua ensolarada
É a coisa mais formosa
É dama consagrada

“E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa
De… não sei se é desejar.”

Sei que dos mágicos poderes
Dessa lua de marfim
Indecifráveis prazeres
Brotam em mim

“Sim, todos os meus desejos
São de estar sentir pensando…
A lua (dizem os ingleses)
É azul de quando em quando.”

Publicidade

Saudade

-“Diálogo” com Fernando Pessoa – 3ª parte

O que dizer da saudade?
Sentimento que chega de mansinho
E de repente dá uma forte vontade
Vontade de voltar ao ninho

Sem nos pedir licença
Chega para nos fazer
Sentir falta da presença
De alguém que nos faz viver

“E isto lembra uma tristeza
E lembrança é que entristece
Dou à saudade riqueza
Da emoção que a hora tece”

“Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora
Está para além da saudade”

É sensação de peito apertado
Que não fere o corpo mas sim a alma
E só tornando-se a ver o ente amado
É que então o coração se acalma

“Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter
Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia”

Por isso a saudade tão difícil de ser entendida
Parece nos fazer entender:
Não se pode dar valor a algo na vida
Só quando sua falta nos faz sofrer.

11 de Junho de 2008,

Ana Helena Ribeiro Tavares

%d blogueiros gostam disto: