Governo ainda não entendeu a importância da comunicação

Mello A implantação urgentíssima do PNBL e a consequente Ley de Medios são lutas que podem impedir que o país retroceda e acabe, por blablablás lacerdistas, nas mãos de quem vai entregar a Petrobras e nossas riquezas, na próxima oportunidade.

Do Blog do Mello

Ontem cheguei mais tarde em casa e não pude ver ao vivo o presidente Lula nem as palavras do ministro das Comunicações Paulo Bernardo. Peguei apenas a parte em que ele abriu para perguntas.

Foi quando percebi que Paulo Bernardo, embora seja nosso ministro das Comunicações, ainda não desencarnou de seu cargo anterior como ministro do Planejamento no governo Lula.

Parece que o ministro ainda não percebeu que a batalha das comunicações (e, portanto, do acesso à informação) é tão importante hoje em dia quanto o saneamento básico, o acesso à educação e à saúde.

Porque o mundo vive hoje a chamada guerra de quarta geração, que se desenvolve não nos campos de batalha mas na cabeça e no coração das pessoas. A mídia corporativa é o braço avançado dessa guerra na luta para o Brasil voltar a se encaixar na ordem capitaneada pelos Estados Unidos.

O presidente da Venezuela Hugo Chávez conheceu essa força em 2002, quando foi derrubado do poder por um golpe idealizado, forjado, trabalhado, incitado e comandado pela mídia corporativa de lá, liderada pela cadeia RCTV (a RGTV de lá, à época).

A batalha da comunicação se desenrola como um roteiro cinematográfico, onde os lados opostos vão criando seus personagens, tramas, subtramas, com o objetivo de conseguir chegar ao seu final feliz.

Por serem governo e oposição, é claro, o final feliz de um é a desgraça do outro, como experimenta agora a oposição quase esfacelada com o impressionante sucesso do governo do presidente Lula.

Grosso modo, a história que o governo pretende contar está resumida no discurso de posse da presidenta Dilma (que pode ser lido na íntegra aqui). É uma história de continuidade em relação ao govermo anterior, mas também de avanço e com um eixo central:

A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos.

Já a história que a oposição – há tempos subsidiada, mas hoje assumidamente liderada pela mídia corporativa – quer contar é a seguinte: Este é um governo demagógico, que se vale de bolsas e transferência de renda para vagabundos, numa compra indireta de votos; é um governo de petralhas, de cumpanheros enriquecendo como nunca; uma república sindicalista, com bolsa de estudo para pobre, tudo para os pobres, com o objetivo de continuar vencendo as eleições e poderem roubar ainda mais.

Já tentaram o golpe em 2005, com o mensalão. Em 2006, levaram a eleição para o segundo turno com o episódio da foto do dinheiro feita pelo delegado Bruno. Agora em 2010, a guerra do aborto, o episódio ridículo da bolinha de papel, o jogo sujo da ficha falsa de Dilma na primeira página da Folha.

Perderam mais uma vez. Mas, aos pouquinhos, na timeline da comunicação, vão construindo seu roteiro, deixando registrados os papéis que querem destinar ao governo: corrupto, antidemocrático, defensor da censura, populista.

Agora mesmo voltaram ao ataque com o episódio Palocci. O ministro caiu. E aí, nada mudou? Mudou sim. Fica na mente das pessoas mais uma vez a mancha de que esse governo esconde coisas, de que há corrupção. Até tapioca eles já usaram para colar essa marca. Porque o importante para eles é continuarem montando seu roteiro.

Por isso, nada adianta, ministro, fazermos o saneamento básico, levar educação e saúde de qualidade, se não soubermos também comunicar o que estamos fazendo.

O presidente Lula sozinho conseguia fazer isso em seu governo. Por causa de seu carisma pessoal, de sua história de vida. Por causa das inúmeras campanhas majoritárias que disputou antes de vencer em 2002.

Lula talvez conheça o Brasil como ninguém (“nunca dantes”). Talvez tenha ido a mais municípios brasileiros que qualquer outro cidadão. A ponto de o povo mais humilde se identificar com ele e ver na sua luta e luta de cada um deles.

Além do mais, Lula foi um sindicalista, um líder metalúrgico. Tem liderança reconhecida na classe trabalhadora organizada.

A presidenta Dilma não tem essas características.

Por isso, o outro grande movimento da oposição é afastar os dois e fazer o povo esquecer que Lula é Dilma e Dilma é Lula. Se na mente das pessoas eles estiverem separados, nem Lula conseguirá uni-los novamente.

Enquanto pudermos continuar crescendo, gerando empregos e desenvolvimento social, eles terão dificuldades. Mas, tudo isso tem um gargalo. E há ainda a crise mundial, que, longe de ter passado, volta a se agravar.

Por isso a comunicação tem que ganhar a importância que parece ainda não ter nesse governo. Porque a comunicação democrática, o livre fluxo da informação, é um direito humano tão importante quanto o acesso à educação e à saúde.

Porque, como eu já escrevi aqui em O poder dos cartéis midiáticos não permite a informação livre e põe em risco a democracia no Brasil:

A implantação urgentíssima do PNBL e a consequente Ley de Medios são lutas que podem impedir que o país retroceda e acabe, por blablablás lacerdistas, nas mãos de quem vai entregar a Petrobras e nossas riquezas, na próxima oportunidade.

TV – As duas faces dessa moeda

O processo de vulgarização da TV em contraste com sua contribuição ao progresso da humanidade

A luta por altos níveis de IBOPE tem levado muitos canais de TV a conseguir níveis estratosféricos de vulgaridade e sensacionalismo. Gastam-se horas e horas com uma programação apoiada na máxima de que o povo adora uma boa baixaria e muitos programas, inclusive na área jornalística, parecem apostar insistentemente na violência como sinônimo de audiência.

Os poderosos da televisão não podem, porém, se esquecer de que o povo, principalmente o brasileiro, é extremamente inconstante e boa parte dele parece já estar se cansando de tanta apelação.

Não fosse o forte poder persuasivo que a mídia televisiva ainda exerce sobre as mais diversas camadas sociais, os legítimos representantes do que se pode chamar de “cultura da apelação sexual” dificilmente teriam grande ascensão, tão meteórica quanto infundada. Para comprovar o quanto a falta de talento e originalidade cansa, basta observar o que costuma acontecer a homens e mulheres que têm sua fama sustentada apenas por seus corpos “sarados” ou seu rebolado sensual: já surgem condenados ao esquecimento sem sequer terem chegado a sentir o real sabor do sucesso.

Ganhar fama é uma das coisas mais fáceis da vida, ter sucesso é conseguir mantê-la.

No entanto, para além de servir a essa eterna busca pela fama, o sensacionalismo pode também ser cruel… No que diz respeito a programas jornalísticos, não há momento em que fique mais evidente a perversidade sensacionalística do que na cobertura de crimes hediondos. A pobreza criativa e o desrespeito às vidas envolvidas no caso geralmente são de tal ordem que cabe perguntar para que se gasta tanto papel e tinta com manuais de ética. Até porque se na emissora líder há muitos anos eles já viraram peça de museu fica difícil convencer as outras de que ética e audiência podem caminhar juntas.

Mas, se a ética estiver junto a ilustres companheiros, como a criatividade e o talento, ela pode sim atrair o gosto popular. Quem diz que para agradar ao povo só basta mesmo uma boa baixaria nada mais faz do que se esconder atrás da falta de habilidade para produzir coisas melhores. Pois é, comodismo também produz sensacionalismo.

Por outro lado, analisemos a face positiva dessa moeda.

Aquela que já recebeu apelidos como “babá eletrônica” e “janela para o mundo” é, antes de tudo, um poderoso veículo de comunicação, que há muito tempo faz parte de nossa vida e não se pode negar que seja de alguma forma benéfica ao povo. Contribui para o progresso humano a partir do momento em que inúmeras pessoas que não têm acesso a outros meios de comunicação (e mesmo as que têm), são beneficiadas pelas informações e pelos bons programas que ainda conseguem sobreviver. Pena que, apesar e por causa de conhecerem todo esse poder que têm em mãos, as atenções da maioria dos profissionais da área parecem estar voltadas para incentivar ainda mais o consumismo…

Contudo, como todo bom brasileiro, não desisto nunca de ter esperança e insisto em acreditar que um dia toda essa vasta gama de informação e cultura que a TV tem o potencial de levar ao povo, ao invés de nos fazer perder valores, poderá servir para nos tornar um pouco mais cultos e informados. Talvez assim compreendamos que muitos dos problemas de que nos queixamos não são nada se comparados a tantas mazelas espalhadas pelo mundo e aí, quem sabe, possamos também dar o devido valor ao nosso país.

Mas isso, amigos, é apenas um sonho de uma jovem idealista… E tenho minhas dúvidas se sonhos dão IBOPE…

18 de abril de 2008,

Ana Helena Ribeiro Tavares

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