“Fui preso, galera!” – relato de um jovem capixaba

“Só fomos liberados da delegacia às quatro e tantas da manhã, sem que tenhamos sido sequer informados acerca do motivo da detenção. Devo ter sido preso porque filmei. E tomei três tiros pq não joguei nenhuma pedrinha… Faz sentido pra você?”

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Por João, em seu blog CapixabaFeelings

Vê só que doidera:

Era uma quinta feira, e eu tinha acabado de assistir no Balanço Geral o Amaro Neto transmitindo ao vivo aquele furdúncio lá no centro de Vitória, no Palácio Anchieta. O BME passando por cima do tiozinho, disparando bala de borracha, esfumaçando todo aquele cenário que os capixabas tem por muito familiar: o Canal de Vitória e o porto por trás das grades, separado pela avenida onde tudo começou do palácio anchieta, todo garboso no topo das escadarias.

Que viraram barricadas, com um monte de estudante jogando pedras sobre o BME. Achei digno. Quem ficou mal foi o jornalista da record, com aquela quantidade de gás das bombas arremessadas pelos soldados na direção do Palácio Anchieta. Assisti enquanto almoçava.

Fui pra UFES, pra Semana Nacional de Pós Graduação do Mestrado de Ciências Sociais, evento que o Mestrado do Curso realizava pela primeira vez. Participei do GT até o intervalo, 15:00 da tarde, e fui pegar meu copinho de café. E falaram do ato lá na frente. Fui né. Já tinha assistido tudo pelo Balanço, queria ver com os meus próprios olhos o que tava acontecendo.

Cheguei lá na Frente e uma galera já tinha fechado a Fernando Ferrari. Muito mais gente que no centro, aparentemente. E o BME chegou, e foi o Caos. Confesso, ajudei a quebrar o cadeado do portão da universidade. Ia ser foda todo mundo correndo, imaginava, pelos portões apertadinhos da ufes quando o BME agisse. Eu sabia que eles iam dispersar todo mundo.

Mas deu tudo errado. Eles dispersaram todo mundo e se mantiveram na frente da ufes. Inevitável, pedras voando. E bombas pra dentro da universidade. Nesse momento, já não havia mais estudantes na rua, todos dentro da universidade. Em frente ao Teatro Universitário, onde acontecia um evento de educação infantil ao que me parece. Haviam vários ônibus estacionados em frente. Foram os que levaram as crianças pro Teatro e que estavam sendo bombardeados pelos policiais.

Quatro pessoas foram presas, sem acusações. O oficial responsável pela operação, indagado por mim, se recusou a dar informações sobre as prisões.

Com meu celular filmei toda ação. Principalmente dentro da universidade, filmando os policiais fora, gritando “Tô filmando, não atira, tô filmando!” “Só tem criança no teatro manda parar de atirar bomba, só tem criança!” “Para de dar tiro tem um monte de menina, tem um monte de criança, para de dar tiro”. Enquanto isso eles, por trás das grades, continuavam com as bombas, com os tiros. Pra dentro da Universidade.

Foi essa hora aqui:

Aí eu tomei o primeiro. E o segundo, na costela e na barriga. Achei que fossem pedras no começo, mas quando ardeu entendi o que tinha acontecido. Tomei dois, corri, tomei o terceiro, com certeza do grupo que eu filmava: Um oficial e mais três policiais, um dos quais disparou um tiro à curta distância. Esse oficial…

Aí acabou meu dia. Os manifestantes se reagruparam dentro da ufes, e saíram em passeata pela saída norte da Universidade em direção à Terceira Ponte. A essa altura até o vice reitor, além das criancinhas do Teatro, já tinha curtido sua dose diária de gás lacrimogênio. E a passeata seguiu surpreendentemente ordeira e pacífica, pra tudo o que já tinha rolado aquele dia. E fui junto né? Até tiro já tinha tomado!

Meu plano era outro praquela quinta feira. Mas como se acovarda? Depois do que eu vi acontecer na frente da Universidade onde estudo, depois de tomar tiro de bala de borracha, como é que volta pra assistir apresentação de trabalho em evento acadêmico? Fui junto. Mas confesso que sabia que ia dar merda. Os caras do BME tudo com sangue nos olhos durante a ação. Na crueldade mesmo, no sadismo, na piadinha…

Pro BME, só os reprovados no psicotécnico, parece. Todos sem identificação, uma boa parte deles mascarados. Levantaram a suspeita de serem esses os que fazem algum curso na UFES. Nos reencontramos antes da praça do Cauê, no final da Reta da Penha. Mais balas de borracha, mais bombas de efeito moral e gás lacrimogênio. Na ufes estava com a camisa molhada no rosto, sofri pouco com o gás. Na chegada da ponte foi sinistro.

Todo mundo dispersando mó correria. Nos reagrupamos na Cezar Hilal. Resolveram fazer uma plenária pra decidir o que fazer. Quarenta minutos de jograis poéticos até que estoura um corre corre. Gente gritando, correndo, uns pra um lado outros para o outro.

ENTÃO: Um sujeito armado estava no meio dos meninos, ninguém sabia exatamente fazendo o que. Gritaram “POLÍCIA!” e ele “não sou polícia não não sou polícia não” até que, acuado, assumiu ser policial e levantou a arma efetuando três disparos. Uns correndo dele, outros correndo pra cima dele. E eu correndo atrás desses: “Vocês tão doido, tão querendo tomar tiro alguém aqui tem o peito de aço?”. Ainda ouvi de um cidadão muito bem disposto “Se for mais de dez atrás dele ele não vai ter bala suficiente pra todo mundo, não vai atirar.”

Aí enquanto o P2 corria da turba, no rastro dele veio o BME, com tiros e balas de borracha. Acabaram com a belíssima assembléia, que tinha decidido, veja só, marchar até a casa do Casagrande(!!!). E todo mundo correu, na iminência de quê? Correr pra Leitão da Silva, pra voltar pra UFES. Foi a proposta derrotada no exercício poético-discursivo dos jograis.

Falei o tempo todo pra todo mundo: Tá doido gente, os caras com sangue no olho e vocês fazendo plenária? Vamos em passeata pra qualquer lugar, em passeata os caras não pegam agente, tamo aqui chamando eles. E rolou a treta com o P2. E o corre corre. E o BME chegando na grosseria.

Aí fudeu tudo.

Todo mundo correndo entre os carros e os policiais atravessaram pelo terreno baldio da antiga GIACOMIM, se não me engano. E encurralaram uma galera. Eu dentre eles. Quando dispersou todo mundo eu fiquei pra trás, fotografando e orientando a galera pra correr “Corre galera sai daí, agrupa com o resto do povo lá na frente!”

Aí eu parei na frente de um prédio cheio de gente da passeata. Tem até um vídeo aí que mostra, exatamente a hora da minha prisão. “Sai de dentro do prédio gente, vc´s vão ficar aí em 10 com todo mundo lá na frente? Vamo atrás de todo mundo aqui agente vai se fuder!” Aí cercaram agente. “Todo mundo volta pro prédio, corre pra dentro eles tão vindo!” e fiquei do lado de fora pra assistir o que acontecia.

Eis que vindo  com a tropa que invadia, quem eu reencontro? O querido oficial que eu havia filmado lá na frente da ufes. O mesmíssimo, com a farda camuflada. Pistola apontada para a minha cara, desde lá debaixo: “MÃO NA CABEÇA! MÃO NA CABEÇA!” “sim senhor”

Botei as mãos na cabeça e desci as escadas do prédio em direção à calçada. Fui imobilizado e jogado no chão. Não ofereci resistência. “DEITA COM A CARA NO CHÃO, CARA NO CHÃO!” Fiquei com a cara no chão.

Chega o oficial: “ACHOU QUE IA FILMAR A MINHA CARA NÃO É? CADÊ SEU CELULAR? CADÊ O CELULAR?”. “No meu bolso esquerdo senhor”. Fui revistado, não encontraram. Me levantaram eu peguei o celular no bolso e entreguei a eles. Me algemaram e me botaram no cofre da viatura com outro manifestante que fotografava e filmava o ato desde o começo.

Durante 1 hora fiquei preso no cofre da viatura e algemado, ouvindo o rádio da polícia. No rádio, a confirmação de que o sujeito armado era realmente um policial infiltrado: “O que foi que aconteceu?” “Um colega nosso do serviço reservado foi identificado, correram pra cima dele, mas agente garantiu a segurança dele lá”.

Pelo celular do brother preso comigo, consegui avisar que havia sido detido, ainda no camburão. Foi muita gente pro DPJ, à espera de muitos amigos que haviam sido presos. Amigos, filhos, namorados, ex namorados, alunos, companheiros… E todos na maior agonia, porque só chegamos à delegacia depois de muito tempo detidos. Demos um rolêzinho antes.

Nos levaram todos para o quartel do BME em Maruípe. Fomos fotografados, tivemos a ficha levantada. “Mora aonde? Estuda na UFES? Qual curso?”  Menores de idade, meninas inclusive, todos na mesma situação. Sendo interrogados pelo BME.

Um oficial vem devolver meu celular. Todos os vídeos e fotos haviam sido apagados.

Algum tempo depois somos levados em um ônibus até a frente do DPJ de Vitória, no bairro Horto. Muito tempo após a nossa detenção, que deve ter ocorrido por volta das oito e pouco. Só fomos liberados da delegacia às quatro e tantas da manhã, sem que tenhamos sido sequer informados acerca do motivo da detenção.

Devo ter sido preso porque filmei. E tomei três tiros pq não joguei nenhuma pedrinha…

Faz sentido pra você?

Desabafando, na moral? Igualzinho ao Espírito Santo. Aqui nada faz sentido. É governo defendendo ilegalidade, como no caso da construção do Estaleiro da JURONG na Barra do Riacho em Aracruz. É governo querendo expulsar gente de casa pra dar terra pra VALE em anchieta. É governo botando polícia pra expulsar gente de casa em Aracruz. Pra jogar bomba e dar tiro pra dentro da UFES. Hospitais Lotados. Passagem Cara, Serviço Péssimo. Trânsito Caótico. Poucas Ciclovias. Presidente do Tribunal de Justiça pego com a boca na botija vendendo sentença. E quem vai preso sou eu. Ele só aposentou com 22mil de salário. E tem mais um monte que vende sentença e todo mundo sabe e não fala nada. E tem mais um monte de coisa errada acontecendo que todo mundo sabe e ninguém fala nada. Um Estado que é muito mais sensível em manter a máquina funcionando que deixar a existência dos seus cidadãos mais suportável, nesse mundo caótico em que nós vivemos. E A GAZETA E A TRIBUNA FALANDO QUE TÁ LINDO, VAI TER EMPREGO, TAMO CRESCENDO. O que tá crescendo é o lucro do patrão de vocês,  das três famílias que são donas do Espírito Santo até hoje, e ficam alugando A MINHA TERRA feito PUTA pras multinacionais estrangeiras trazerem as plantas industriais que ninguém mais quer no “mundo desenvolvido” só pra ter mais uma graninha pra disputar eleição. Mas deixa estar. Enquanto vocês acham que o mundo não vai mudar, e se acomodam com conforto, é que o mundo se sacode e derruba esses parasitas que impedem o nosso livre desenvolver!

Hoje os meninos marcaram um ato, concentração a partir das 7 da manhã no Palácio Anchieta. #protestoemvitória

E no dia 18 de junho a #marchadaliberdade! uma festa pelo direito da livre manifestação, contra a violência policial, contra os crimes ambientais dos governos, contra todos os tipos de discriminação, pelo livre desenvolver do povo! uma festa, pra matar os recalcados do outro lado de inveja!

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Depois de ler isso tudo, o QTMD? sugere um vídeo para reflexão:

A reforma agrária pelo olhar dos assentados

Julio Cezar P. de Oliveira: Esse livro se coloca no campo da defesa da necessidade da Reforma, não apenas como um instrumento que possa garantir melhores índices de distribuição da terra, mas também que incorpore produtivamente milhares de famílias que se encontram segregadas nas áreas mais pobres das cidades brasileiras.

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Por Júlia de Martins, no site “Olhar Virtual” (da UFRJ) 

O pesquisador Julio Cezar Pinheiro de Oliveira, formado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e aluno de Pós-graduação do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ (Ippur), lançou este ano o livro Desconstruindo o Latifúndio: a saga da Reforma Agrária no Norte Fluminense (Editora Apicuri, 2011).

A obra, organizada por Oliveira juntamente com os professores Marcos A. Pedlowski e Karla Aguiar Kury, apresenta um conjunto de artigos sobre os assentamentos criados por militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na região Norte do Rio de Janeiro. O projeto busca acrescentar outros elementos à discussão sobre a Reforma Agrária no Rio e no Brasil a partir do ponto de vista diferente.

A publicação, que contém 212 páginas, foi lançada no dia 10 de maio e está disponível pelo preço médio de R$30.

Em entrevista ao Olhar Virtual, Julio Cezar falou um pouco mais sobre a obra.

Olhar Virtual: Como foi feito o processo de pesquisa para a elaboração do livro?

Julio Cezar P. de Oliveira: Essa obra é resultado de um esforço de pesquisa de mais de uma década que vem estudando os assentamentos criados a partir de ocupações lideradas pelo MST desde 1997. Devido à posição privilegiada da Uenf, que se localiza em Campos dos Goytacazes, tivemos a oportunidade de estudar uma dezena de assentamentos sob diferentes aspectos. O livro procura condensar este esforço analítico e, como fizemos tudo através de um estudo longitudinal da realidade, a obra oferece um olhar para além do imediato, se concentrando naqueles fatores mais persistentes e que, por isso, possuem um potencial de explicação mais forte da realidade.

Olhar Virtual: A obra apresenta os resultados objetivos da consolidação dos assentamentos e as dificuldades e transformações pelas quais os assentados têm que passar. O senhor poderia falar mais sobre isso?

Julio Cezar P. de Oliveira: O que os diferentes artigos que compõem o livro mostram é que, apesar de todas as limitações e dificuldades, os assentamentos do Norte Fluminense são um êxito no que se refere ao retorno de centena de famílias ao campo. Isto fica demonstrado não apenas no montante da produção que é gerada, mas também na melhoria das condições de economia e qualidade de vida da maioria das famílias assentadas.  Penso que o livro demonstra que isso ocorre sem que o Estado, em seus diferentes níveis, dê o efetivo suporte técnico e financeiro para que as famílias possam cultivar e comercializar a sua produção. Com isso, um dos artigos rotula a maneira com que a Reforma Agrária está sendo realizada no Norte do Rio e, ao mesmo, “desassistida”, que é de fato como a coisa acontece.

Olhar Virtual: Como foi feita a escolha do conteúdo e da ordem dos capítulos, já que, de acordo com a “orelha” do livro, ela não foi aleatória?

Julio Cezar P. de Oliveira: Primeiro, procuramos escolher um conjunto de temas que pudessem oferecer ao leitor uma ideia do amplo leque de elementos que afetam a efetiva consolidação dos assentamentos de Reforma Agrária. Além disso, convidamos o professor Paulo Alentejano, da Faculdade de Formação de Professores da UerjERJ, para apresentar um panorama geral da questão da reforma agrária no estado do Rio de Janeiro e o papel do Norte Fluminense neste processo.  O objetivo dessa forma de construção da obra foi demonstrar que a ideia de que o Rio de Janeiro não precisa mais da Reforma Agrária é equivocada.  Os artigos que retratam aspectos mais específicos do cotidiano dos assentamentos foram ordenados de maneira que o leitor pudesse visualizar a realidade dos assentados, suas dificuldades e as estratégias que adotam para permanecerem na terra que foi entregue a eles para a produção alimentos.

Olhar Virtual: Por que as experiências dos assentados foram usadas como recurso para contribuir com a discussão sobre a reforma agrária, que é um tema já bastante analisado?

Julio Cezar P. de Oliveira: Nós acreditamos que este livro, ao se concentrar nos assentados como unidade analítica, oferece uma contribuição que vai além do debate ideológico entre os que defendem e os que são contra a realização da Reforma Agrária. E aqui é preciso frisar que existem poucos trabalhos ainda sobre a realidade dessas comunidades a partir da realidade vivida pelos seus integrantes.  Apesar de já existirem obras que traçaram análises sobre os impactos regionais dos assentamentos, ainda temos uma escassez de conhecimento no impacto que eles trazem. Neste sentido, podemos considerar que, mesmo que o tema da Reforma seja razoavelmente debatido, os assentamentos e seus moradores são ainda praticamente ignorados. Além disso, se considerarmos a forma precária com que a Reforma Agrária tem sido executada no Rio de Janeiro, o livro representa uma contribuição importante para que possamos entender o que de fato acontece nas áreas reformadas.

Olhar Virtual: Em que consiste o debate teórico acerca da correção histórica da implantação da reforma agrária no norte do Rio e no Brasil?

Julio Cezar P. de Oliveira: O que nos parece claro é que, de conjunto, existem atualmente duas posições explícitas, não apenas sobre a necessidade atual da Reforma Agrária, mas sobre o modelo de agricultura que devemos ter no Brasil. Há os que afirmam que o momento de mudanças no campo já foi superado e apontam para uma suposta inexorabilidade da agricultura empresarial, voltada para a exportação de commodities agrícolas como soja, laranja e açúcar. E, em contraposição, há os que entendem a persistência dos altos padrões de concentração da terra como base das graves desigualdades sociais que persistem no Brasil. Além disso, a maioria os teóricos pró-Reforma Agrária entendem que a produção deveria ser voltada para assegurar a segurança alimentar dos brasileiros, o que só seria possível com um modelo ancorado na agricultura familiar. Esse livro, apesar de não ter um viés teórico e, sim, empírico, se coloca no campo da defesa da necessidade da Reforma, não apenas como um instrumento que possa garantir melhores índices de distribuição da terra, mas também que incorpore produtivamente milhares de famílias que, neste momento, se encontram segregadas nas áreas mais pobres das cidades brasileiras.

Olhar Virtual: Como a representação do quadro existente no Norte Fluminense pode contribuir para a compreensão da situação geral da Reforma Agrária e dos assentamentos em todo o Brasil?

Julio Cezar P. de Oliveira: Acreditamos que, infelizmente, o descaso e o abandono a que os assentamentos do Norte Fluminense estão submetidos não são exceção, mas regra no que se refere ao tratamento dispensado pelo Estado brasileiro. Eu me arrisco a afirmar que a leitura dessa obra permitirá ao leitor visualizar o que está acontecendo no resto do Brasil. Mas, para não ficar apenas no aspecto negativo do processo, creio que, também a partir deste livro, será possível identificar o papel preponderante que os assentados vêm tendo no processo de resistência à expansão do agronegócio, a partir de esforços na micro-escala. Os resultados desta resistência ficam evidentes toda vez que analisamos a origem dos alimentos que chegam às mesas dos brasileiros, o que, inclusive, ficou evidenciado pelos resultados do Censo Agropecuário de 2006.

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