As mudanças, por Camões – um poema que o gênio português não deixou nos Lusíadas

Sou filha e neta de portugueses e muito me orgulho disso. Gente trabalhadora e guerreira, de onde trago meus exemplos de vida.  Hoje, dia de Camões, dia de Portugal, deixo aqui um belíssimo e pouco conhecido poema camoniano.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Por Luís de Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,

Que já foi coberto de neve fria,

E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,

Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Obs: A imagem é uma junção de duas fotos. A foto de uma paisagem coberta de neve é de Patty Duft. A foto do caminho coberto de verde é de Diego Rieciri Carraro. Montagem e tratamento das imagens: Ana Helena Tavares.

Na ponta do canhão, uma flor

Por Ana Helena Tavares Portugal é conhecido como “o jardim da Europa”. Se o homem usasse sempre as flores como únicas armas, a Terra poderia ser o jardim do universo.

Hoje, 25 de Abril de 2011, completam-se 37 anos da Revolução dos Cravos, em Portugal. Sou filha e neta de portugueses, e isto pra mim tem um grande significado, como o tem também para todos os cidadãos do mundo que lutam por democracia. A revolução livrou Portugal da ditadura de Salazar e foi marcada pelo gesto de vários soldados de colocarem cravos na ponta das armas. Na foto acima, a flor não é exatamente um cravo, mas esse é um enfeite que tenho no meu quarto. O canhão não veio com a flor, mas como eu o trouxe de Portugal tive a idéia de colocar uma lá. Portugal é conhecido como “o jardim da Europa”. Se o homem usasse sempre as flores como únicas armas, a Terra poderia ser o jardim do universo.

Ana Helena Tavares

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