Enquanto isso, no Oriente Médio… Israel ameaça reagir ao acordo entre Hamas e Fatah

Por Francine de Lorenzo Para Israel, a rivalidade entre as duas facções palestinas é conveniente, pois enquanto houver desavenças, não há como se criar um Estado palestino autêntico.

Matéria de Francine De Lorenzo, do Valor Econômico*, com agências internacionais

SÃO PAULO – O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, criticou o acordo selado entre os grupos palestinos rivais Hamas e Fatah para a formação de um governo interino e a realização de eleições gerais na Autoridade Palestina em até um ano. “A Autoridade Palestina terá que escolher: ou a paz com o Hamas, ou a paz com Israel, pois o Hamas deseja destruir Israel e diz isto abertamente”, declarou o premiê israelense.

Segundo Israel, o Hamas é um grupo terrorista, o que torna inviável qualquer negociação de paz. O ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, Avigdor Lieberman, avisou a Autoridade Palestina que irá retaliar com um “vasto arsenal de medidas”, incluindo restrições à livre circulação na Cisjordânia. O Fatah controla a Cisjordânia, enquanto o Hamas domina a Faixa de Gaza.

Para Israel, a rivalidade entre as duas facções palestinas é conveniente, pois enquanto houver desavenças, não há como se criar um Estado palestino autêntico. O acordo entre o Hamas e o Fatah, que contou com negociações secretas, foi mediado pelo Egito – a princípio com o ditador Hosni Mubarak e, depois, com o governo militar resultante do movimento que promoveu a queda do presidente egípcio em fevereiro.

*Fonte: http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/valor/2011/04/28/israel-ameaca-reagir-ao-acordo-de-reconciliacao-entre-hamas-e-fatah.jhtm

Charge: Carlos Latuff

Enquanto isso, em Gaza… Execução de pacifista italiano causa indignação internacional

Um grupo salafista sequestrou na quinta-feira e executou o pacifista italiano Vittorio Arrigoni, anunciou nesta sexta o Hamas, que prometeu perseguir os autores do que chamou de “crime odioso”, inédito no território palestino autônomo e que causou comoção na Itália e a reprovação internacional.

Matéria da Agência AFP

Um grupo salafista sequestrou na quinta-feira e executou o pacifista italiano Vittorio Arrigoni, anunciou nesta sexta o Hamas, que prometeu perseguir os autores do que chamou de “crime odioso”, inédito no território palestino autônomo e que causou comoção na Itália e a reprovação internacional.

O corpo do cidadão italiano foi encontrado na madrugada desta sexta-feira.

“O italiano foi executado por asfixia e seu corpo encontrado em uma rua da Cidade de Gaza”, declarou à AFP um porta-voz dos serviços de seguraça do Hamas, o movimento islâmico que controla a Faixa de Gaza.

Vittorio Arrigoni, jornalista e militante do movimento pacifista pró-palestino International Solidarity Mouvement (ISM), teve seu sequestro anunciado na tarde de quinta-feira por militantes do grupo salafista, que exigiam a libertação de seus camaradas detidos pelo Hamas.

Em um vídeo exibido no YouTube, os autores do sequestro ameaçavam executar Arrigoni caso o Hamas não libertasse seus companheiros salafistas, incluindo o chefe do grupo Tawhid wa al-Jihad, preso em março.

“Sequestramos o italiano Vittorio e exigimos do governo de (Ismail) Haniyeh que liberte nossos prisioneiros, começando pelo xeque Hisham Al Sueidan. Se não responderem (…) em 30 horas a partir das 11H00 (05H00 Brasília) de 14 de abril, executaremos o prisioneiro”.

O grupo se identifica como as “Brigadas do Companheiro Heróico Mohamed ben Muslima”.
Hisham Al Sueidan, oriundo do campo de refugiados de Nusseirat, foi detido em março passado pelas forças de segurança do Hamas.

Al Sueidan era ligado a Abdelatif Mussa, líder do pequeno grupo salafista Jund Ansar Alah, que morreu em confronto com a polícia do Hamas em 15 de agosto de 2009, durante a tomada de uma mesquita de Rafah.

Os grupos palestinos de Gaza que se definem como “salafistas” – favoráveis à volta dos costumes originais do Islã – acusam o Hamas de debilidade diante de Israel e na imposição da lei islâmica.

Existem ao menos cinco grupos deste tipo na Faixa de Gaza (Jaich al Islam, Jund Ansar Alah, Tawhid wa al-Jihad, Jaich al Uma e Ansar al Suna), que reúnem centenas de membros.

O porta-voz do ministério do Interior do Hamas, Ihab Al Ghussein, condenou o “crime atroz”, que segundo ele “não reflete nossos valores, nossa religião, nossos costumes e tradições”.

Também disse que a lei será aplicada aos autores.

Desde a autonomia do território, em 1994, nenhum refém estrangeiro foi executado.

As forças de segurança identificaram um membro do grupo, que entregou outros integrantes e mostrou o local do cativeiro do ativista, segundo o porta-voz.

“Condenamos este crime odioso e manifestamos toda nossa solidariedade com a família da vítima”, declarou à AFP o principal negociador da Autoridade Palestina, Saeb Erakat.

O ministério italiano das Relações Exteriores condenou em um comunicado o “bárbaro assassinato” e denunciou “um gesto de violência vil e irracional”.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, por sua vez, pediu que o autor do crime seja levado ante a justiça o mais rápido possível.

A indignação tomou conta da Itália, onde foram realizadas manifestações em toda a península para protestar contra o assassinato de Arrigoni.

Partidos de esquerda, organizações não-governamentais, o Fórum Palestino e associações pacifistas realizaram passeatas em Roma, Milão, Gênova, Rimini, Lecco, Turim, Nápoles e Brindisi.

Em uma mensagem enviada à mãe do pacifista, Egidia Beretta, o presidente da República italiana, Giorgio Napolitano, condenou o assassinato.

“Inteirei-me com consternação sobre a terrível notícia do vil assassinato de seu filho Vittorio em Gaza. Esta barbárie terrorista causa repulsa nas consciências civis”, escreveu Napolitano.

O tribunal de Roma anunciou a abertura de uma investigação judicial do sequestro e mortes de Arrigoni.

Cerca de 20 organizações humanitárias italianas trabalham em Gaza e decidiram aumentar as medidas de segurança, apesar de confirmar sua permanência em sinal de solidariedade e cooperação com a sociedade civil palestina.

%d blogueiros gostam disto: