Um homem chamado rabino. Um cordel para Henry Sobel.

Cordel da Ordem dos Direitos Humanos
Para dizer ao Presidente Miliciano que o Cordel não só conhece História como é a própria História

Cordel da Ordem dos Direitos Humanos
Para dizer ao Presidente Miliciano que o Cordel não só conhece História como é a própria História

Henry Sobel

Um Homem Chamado Rabino
Que denunciou a morte, sob tortura, de Vladimir Herzog, o saudoso Vlado

Henry Sobel, de estola branca, no enterro de Vladimir Herzog.

Na segunda ditadura
O Brasil vivenciou
Estatito da Tortura
Linha dura imperou
Muita gente exilada
Perseguida, assassinada
Um judeu se levantou

O judeu dos mais valentes
Do Direito um defensor
Totalmente diferente
De quem propaga horror
Henry Sobel era Rabino
Que ao povo Palestino
Sempre foi respeitador

Quando o jornalista Vlado
Teve preso no porão
De tanto ser torturado
Na Cadeira do Dragão
Amarrado, encapuzado
Molhado, eletrocutado
Veio a óbito, então

O Estado bandoleiro
Disse que Vlado judeu
Na ala dos prisioneiros
O suicídio cometeu
Mas no corpo do ativista
Marcas que davam na vista
Diziam o que ocorreu

Rabino Israelita
Profeta do Deus Eu Sou
Disse com sua voz bendita:
Vlado não se suicidou
Ao contrário, foi matado
Cruelmente torturado
Tanta dor não suportou

No velório, tal Rabino
Sim, fez dura acusação
Contra regime cretino
Tomou firme posição
Fez denuncia ao mundo inteiro
Do Estado Brasileiro
Que matava cidadão

Junto com Dom Evaristo
O Profeta Cardeal
Em nome do próprio Cristo
Fez Culto na Catedral
Em memória do ativista
Suicidado por fascista
Regime policial

Quem peitou a ditadura
Denunciando o terror
Soube honrar a Escritura
E seu Deus Libertador
Como profeta ousado
Recusou-se ser calado
Diante do opressor

Em tempos milicianos
Este ardente defensor
Dos Direitos Humanos
Contra o ódio de impostor
Fará falta na trincheira
Onde gente brasileira
Não dá trégua a ditador

Fará falta este Rabino
Nas trincheiras do atuar
Contra um Coiso assassino
Que satã fez levantar
Este satanista coiso
Com grupo religioso
Faz arminha pra matar

Quem peitou a ditadura
Assassina contumaz
Por seus atos de bravura
Na coragem tão audaz
Henry Sobel merecia
Pra alegria da Poesia
O Prêmio Nobel da Paz

Henry Sobel vai simbora
Pros rumos dos imortais
Lá pra donde hoje mora
Vlado dos memoriais
Foi simbora o Rabino
Com seu gesto tão divino
De lampejos pastorais

Jetro Cabano Fagundes
Farinheiro do Marajó e de Ananin

Patricia Arce e Dom Adriano Hypólito: as tintas da intolerância e do fascismo

De todas as violências praticadas por grupos da extrema-direita na Bolívia, no atual processo golpista, o episódio mais chocante talvez tenha sido o sequestro de Patricia Arce, prefeita de Vinto, cidade de 60 mil habitantes na região de Cochabamba.

Rogério Marques

Por Rogério Marques, jornalista

De todas as violências praticadas por grupos da extrema-direita na Bolívia, no atual processo golpista, o episódio mais chocante talvez tenha sido o sequestro de Patricia Arce, prefeita de Vinto, cidade de 60 mil habitantes na região de Cochabamba.

Foto: STR/AFP

Patrícia teve os cabelos cortados por homens e foi pintada com uma tinta avermelhada, certamente por ser filiada ao Movimento ao Socialismo, mesmo partido do ex-presidente Evo Morales. Tudo foi filmado, fotografado e mostrado ao mundo através de redes sociais.

O episódio fez lembrar um outro ocorrido no Brasil em 1976, durante a ditadura militar, governo Geisel. O bispo de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, Dom Adriano Hypólito (1918 – 1996), também foi sequestrado e pintado de vermelho, além de sofrer espancamento e ter sido deixado nu.

Foto: acervo O Globo

Dom Adriano fazia um importante trabalho social na Baixada Fluminense e era um crítico da ditadura militar. O bastante para ser apontado como comunista por militares da extrema-direita, que na época praticavam atentados e assassinavam, na tortura, militantes como o operário Manuel Fiel Filho, em São Paulo.

No caso da prefeita Patricia Arce, o ato de cortar os cabelos tem também um simbolismo machista, como em guerras e conflitos étnicos no passado. A agressão não parou por aí: Patricia foi obrigada a caminhar suja, descalça, cabelos cortados em meio ao bando que a xingava.

Depois de resgatada pela polícia, ainda atônita, muito abalada, a prefeita declarou aos jornalistas: “”Sou livre e não vou me calar. Se querem me matar, que me matem. Como eu disse um dia, darei a minha vida por esse processo de mudança”.

%d blogueiros gostam disto: