Algum lugar entre a prosa e a poesia

A dança das estações

Chega o inverno. Logo se quer aconchego, mas se tem medo do sossego. Será assim o ser humano? Notoriamente contraditório?

Mas que o contraditório não o vença! Chegar ao outono e entregar-se por causa das quedas é o mesmo se deixar morrer por um beliscão. E quantos beliscões a vida nos quer dar? Sim, ela quer! Há que se permitir! E por que quer? Por que permitir? Porque a primavera só vem para quem a espera.

Esperar é sofrer, porque sofrimento é vida. Porque o sorriso depois da lágrima é sempre mais molhado. Um pingo de orvalho, em qualquer semente, é sempre sinal de alegria. Por que seria diferente com o choro?

E o verão virá? Virá e também passará. Virão passos, que verão asas. Uma eterna mutação.

Enquanto a vida dura, a dança das estações só se traduz a quem as sente. Contraditoriamente.

Ana Helena Tavares,
26 de Dezembro de 2009

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