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O apito que moldou vidas – 2ª parte (“trilogia da fábrica”)

Foto: Ana Helena Tavares
2008 - a antiga Fábrica Confiança ainda com sua imponente chaminé "de barro", o desenvolvimento de seu entorno e o arco-iris que Deus deu à foto.

2008 - o prédio da antiga Fábrica Confiança ainda com sua imponente chaminé "de barro", as transformações de seu entorno e o arco-íris que Deus deu à foto.

As transformações sócio-geográficas motivadas pela Fábrica Confiança

Quando de sua fundação, no final do séc. XIX, a Fábrica Confiança, que já nasceu dotada de 400 teares, utilizava caldeiras abastecidas pelas águas do Rio Joana represadas num açude onde hoje é a rua Artidoro da Costa, em Vila Isabel. Dez anos mais tarde, a fábrica já computaria 1600 teares, ocupando uma área total de 93.000m².

Em 1872, poucos anos antes da fundação da fábrica, nascia o bairro de Vila Isabel. Em 1873 foi construída uma linha de ferro-carril, ligando o bairro à cidade, o que possibilitou que o bairro prosperasse, tendo sido urbanizado segundo os modernos moldes franceses da época e tendo como destaque sua rua principal: o Boulevard 28 de Setembro (data da Lei do Ventre Livre). Antes disso os bairros de Vila Isabel, do Andaraí e do Grajaú ocupavam uma área conhecida como Fazenda do Macaco, a qual pertencia aos jesuítas, até que em 1858 foi incorporada à Coroa. Com a ida da família real para Portugal, o local ficou abandonado. A parte que hoje abrange Vila Isabel foi comprada então em 1872 por Viana Drummond, que a batizou assim em homenagem à princesa.

A partir de 1919, o “Palacete da Fábrica”, que hoje respira cultura abrigando a Casa de Vila Isabel, foi habitado por Jerônimo Braga, que por ter assumido a direção da tecelagem mudou-se para lá. No andar de baixo ficava o escritório da fábrica e o consultório médico que atendia aos operários. A família ocupava os dois andares superiores. Filho primogênito do Sr. Jerônimo, Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha ou João de Barro, mudou-se para o “Palacete” aos 12 anos de idade. Lá floresceu seu dom de compor e tocar. Seus amigos freqüentavam a casa em visitas e saraus. Eram, com ele, integrantes do Grupo Flor do Tempo e mais tarde do Bando dos Tangarás: Noel Rosa, Henrique Brito Alvinho e Almirante. Foi também na escadaria do “Palacete” que Braguinha iniciou o namoro com Astréa Rabelo Cantolinho. A família ficou na casa até 1927. Desde então acredita-se que tenha servido apenas como escritório. Hoje, funcionando lá a Casa de Vila Isabel traz-se de volta as alegrias e parte da “alma” do bairro.

A partir de 1980, tem início no bairro o resgate de sua história e da qualidade de vida região. A Associação de Moradores e Amigos da Vila Operária Confiança começou a ser extremamente atuante na preservação do patrimônio da fábrica e arredores.

Além de todo o movimento cultural presente na Casa de Vila Isabel e da mobilização social impulsionada pela Associação de Moradores da Vila Operária, há ainda as transformações geográficas causadas pela fábrica. Dois bons exemplos disso são: o numeroso complexo de casas que até hoje forma a Vila Operária, o qual é bastante fragmentado e estende-se por uma vasta área; e ainda o local onde atualmente fica a quadra da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, pois, pouca gente sabe, mas ali era o campo de futebol onde jogava o time de funcionários da fábrica.

Como se vê, Vila Isabel cresceu, juntamente com os bairros vizinhos, mas a intensa transformação não inibiu o lazer e a cultura. Afinal, falamos de um lugar em que apito de fábrica vira música…

Ana Helena Ribeiro Tavares

Matéria publicada na edição de Junho/08 do jornal de bairro “Correio Carioca”.

Para ver a edição completa do jornal, clique aqui

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